Vichai Srivaddhanaprabha se transformou em um dos personagens mais querido do futebol inglês desde a última temporada. Não apenas por ser a principal “fada madrinha” no conto de fadas do Leicester, assumindo o clube na segunda divisão e investindo rumo à conquista do surpreendente título da Premier League. O empresário também tomou várias outras atitudes que causaram simpatia: os agrados distribuídos no estádio, os prêmios aos jogadores pela façanha e as doações à comunidade de Leicester como forma de agradecimento. Mas nem tudo são flores para o tailandês. Em seu país, sua principal empresa vem sendo acusada de um enorme caso de corrupção, na casa dos 14,29 bilhões de baht (cerca de R$1,36 bilhão, após conversão das moedas). E o prejudicado seria o próprio governo local.

VEJA TAMBÉM: A nova camisa reserva do Leicester já surge como uma das mais bonitas da temporada

Estampada na camisa do Leicester e também dona dos naming rights de seu estádio, a King Power opera o free-shop do maior aeroporto de Bangkok desde 2006. Segundo documentos analisados pelo jornal britânico The Guardian, pelo acordo firmado com o governo tailandês, a empresa deveria pagar 15% de seus rendimentos ao estado. Porém, segundo o processo fichado por Charnchai Issarasenarak, líder do subcomitê governamental anticorrupção, a King Power conspirou com os funcionários do aeroporto para destinar apenas 3% do valor total de seus rendimentos.

“Pedimos ao tribunal que aceite este documento como um processo criminal e use a lei para punir quem cometeu a fraude. Nós também pedimos ao tribunal que repasse esse montante ao estado Ninguém deve receber nada deste valor. O caso provocou danos substanciais ao estado e é muito severo”, afirmou Issarasenarak, à imprensa local. Outras duas empresas do grupo King Power também são acusadas, além de 14 funcionários dos aeroportos. Contudo, não há nenhuma acusação pessoal a Vichai Srivaddhanaprabha ou a seu filho Aiyawatt, vice-presidente do Leicester.

Por não ser um processo pessoal, a princípio, o Leicester não sofreria consequências diretas pelo episódio. A legislação da Premier League proíbe que pessoas condenadas por casos de corrupção ocupem altos cargos nos clubes ou que possuam mais de 30% das ações. De qualquer maneira, há a preocupação de que o imbróglio, de alguma forma, possa impactar na gestão das Raposas. O novo parâmetro financeiro conquistado desde a afirmação na Premier League, em teoria, tornaria a estrutura do clube sustentável por si, a partir de seus próprios rendimentos.

A concessão do free-shop ao grupo King Power foi ratificada quando o primeiro-ministro da Tailândia era Thaksin Shinawatra, antigo dono do Manchester City. O político foi derrubado por um golpe militar e substituído pela oposição. O atual primeiro-ministro, o general Prayuth Chan-ocha, aparece entre as 32 testemunhas do processo e apoiou as investigações. Aiyawatt Srivaddhanaprabha e o principal responsável pelos aeroportos tailandeses negaram o caso e irão preparar sua defesa diante do processo.