O primeiro duelo entre Napoli e Barcelona não deixará nada de muito notável para ser lembrado. O placar de 1 a 1, pelo jogo de ida da Champions League, veio em um jogo sem grandes emoções, sem muitas chances de gols e sem uma grande atuação dos dois lados. Sem nenhum destaque individual e com dois times que coletivamente conseguem fazer pouco ofensivamente, nenhum dos dois times conseguiu se impor diante do outro. O placar deixa tudo aberto para o jogo de volta, no Camp Nou, no dia 18 de março.

Os mandantes foram melhores no San Paolo no primeiro tempo, fizeram 1 a 0 e tiveram ótima atuação defensiva, tirando o espaço de Lionel Messi, que nunca recebeu a bola com tranquilidade. No segundo, porém, o time não jogou. O Barcelona foi quem ficou com a bola e, mesmo sem muita criatividade, arrancou um gol que acabou por ser decisivo para igualar o confronto em um dos poucos momentos que o Napoli não foi bem na marcação. Provavelmente o resultado mais adequado para o que foi o jogo.

Os dois times entraram com a mesma formação tática, no desenho, mas muito diferentes em termos de funções exercidas em campo. O Napoli de Gennaro Gattuso foi a campo com Diego Demme pelo centro do meio-campo, com Fabián Ruiz e Piotr Zielinski como meias centrais. À frente deles, três atacantes: José Callejón pela direita, Lorenzo Insigne pela esquerda e Dries Mertens pelo meio. Na prática, sem a bola, o Napoli via tanto Callejón quanto Insigne recuarem quase até a linha dos meio-campistas, deixando Mertens isolado. Com a bola, o time tinha três atacantes, com dois pontas bem abertos para abrir o campo.

Com tantos desfalques, o Barcelona foi a campo com Arturo Vidal atuando perto dos atacantes, pelo lado esquerdo, com Lionel Messi pelo meio e Griezmann do lado esquerdo. No meio-campo, Sergio Busquets era o jogador mais recuado, com Ivan Rakitic e Frenkie De Jong como meio-campistas centrais. Vidal foi bem pelo lado, dando força ao time. Só que o jogo coletivo do Barcelona ainda é muito problemático. O time sofre para se articular, trabalhar as jogadas e, assim, criar chances.

O Napoli tentava ligar os seus ataques com rapidez e fazia o que podia para chegar rápido ao campo de ataque e aproveitar as falhas defensivas do time catalão. A posse de bola era do Barça, que ficava com mais de 60% da posse de bola ao longo do primeiro tempo. Não levava perigo, enquanto as vezes que os mandantes desciam com a bola, com velocidade, dava alguns sustos, mesmo sem também fazer uma imensa pressão.

Foi em uma falha individual que surgiu a chance de gol. Aos 30 minutos, Zielinski pressionou Júnior Firpo, que estava inteiro na jogada, mas falhou. O polonês tomou a bola, avançou e tocou para o outro lado, para Mertens, que estava no lado esquerdo. O camisa 14 dominou, ajeitou e tocou de chapa, no alto, e saiu para o abraço: 1 a 0 para o Napoli no San Paolo.

O gol de Mertens fez com que o belga alcançasse 121 gols pelo Napoli, igualando Marek Hamsik, maior artilheiro da história do clube. Diego Maradona, o maior ídolo da história do Napoli, com 115 gols, já foi superado por ambos. Foi também o sexto gol de Mertens em sete jogos na Champions League nesta temporada. Uma média excelente.

O Napoli terminou o primeiro tempo com a vantagem de um gol. O panorama do segundo foi muito similar. O Barcelona tinha a bola, tocava e buscava espaços, sem muita eficiência. O Napoli se defendia, colocava muita gente atrás da linha da bola e travava o Barcelona. Aos 54 minutos (9’/2T), Gattuso tirou Mertens e colocou em campo um centroavante típico, Arkadiusz Milik. O Barcelona, por sua vez, trocou de meio-campistas: tirou Rakitic e colocou o brasileiro Arthur.

O Barcelona tinha criado poucas boas chances de gol, tocado poucas vezes na bola dentro da área do Napoli. Mas foi só preciso um bom momento para empatar o jogo. Busquets fez um passe preciso, quebrando as linhas de defesa dos mandantes e colocando o lateral Nelson Semedo em ótima posição na ponta direita. Ele cruzou de primeira para o meio e Antoine Griezmann tocou de primeira para vencer o goleiro David Ospina: 1 a 1, aos 57 minutos (12’/2T).

Com o empate, o Barcelona fazia o seu jogo de passes e conseguiu chegar mais à frente. Dali em diante, era o time catalão que mandava no jogo. Só que continuava com o mesmo problema de criar poucas chances claras. Mesmo assim, pressionava o Napoli no seu campo de defesa, tentando complicar a saída de bola.

O Barcelona rondava a área, chegava com escanteios ou cruzamentos rasteiros. Messi continuava muito marcado e sem conseguir criar. O Napoli, mesmo com o empate, não desarrumou suas linhas defensivas. Foi tentando sair um pouco mais à medida que os minutos passavam, mas o time não se jogou à frente. Estava tudo aberto e os Partenopei sabiam que podiam jogar com o resultado no próximo jogo, ainda mais sendo um time, teoricamente, pior.

Na reta final do jogo, aos 88 minutos (43’/2T), Arturo Vidal fez uma falta dura no lateral Mario Rui. Em seguida, encarou o português e empurrou com a cabeça (chamar de cabeçada seria um exagero). O árbitro deu amarelo ao chileno pela falta e outro pela atitude diante do Napoli. Assim, com dois cartões amarelos seguidos, foi expulso.

Pior para Vidal, que fazia uma boa partida, atuando em uma posição mais avançada do gramado. Mas acaba jogando tudo fora com uma expulsão que prejudica muito o time, especialmente no próximo jogo, quando o técnico Quique Sétien terá uma opção a menos de meio-campo.

Em seguida, já nos acréscimos, o zagueiro Gerard Piqué caiu no chão e pareceu sentir. Acabou substituído por Clément Lenglet e se tornou mais uma preocupação também para o próximo jogo. Esfacelado por lesões, tudo que o torcedor blaugrana não quer é ver mais um jogador no departamento médico.

No seu primeiro jogo na terra onde Maradona foi rei, Messi teve uma atuação apenas razoável. Tocou bem a bola, não errou passes, mas também não conseguiu fazer movimentos para quebrar a marcação. Tentou organizar o time, mas não teve sucesso. O time pelo qual Maradona se consagrou eterno teve sucesso em impedir que o sucessor da camisa 10 de Diego na seleção argentina de fazer a sua magia. É claro que isso é muito menos individual e muito mais um problema coletivo. Seja como for, a atuação de Messi foi, como a da maioria dos jogadores em campo, apenas isso: regular.

A partida de volta será no dia 18 de março, uma quarta-feira, às 17h (horário de Brasília). Como os gols fora de casa são critério de desempate, o Barcelona se classifica com um empate sem gols – que parece improvável – e com qualquer vitória. O Napoli avança com qualquer vitória e com empates a partir de dois gols.