Em vez de a cada dois anos, a Copa Africana de Nações deveria ser realizada a cada quatro anos. Esta pelo menos é a opinião de Gianni Infantino, presidente da Fifa. O dirigente acredita que esta solução traria significativamente mais receitas à competição do que o formato atual.

As declarações de Infantino foram feitas durante uma conferência sobre o desenvolvimento do futebol na África, realizada em Salé, no Marrocos, neste sábado (1). O presidente da instituição máxima do futebol questionou se o modelo atual é mesmo o melhor para trazer riqueza ao futebol africano.

“Eu proponho organizar a Copa Africana de Nações a cada quatro anos em vez de dois anos, para torná-la mais viável comercialmente e atraente a nível mundial. A CAN gera 20 vezes menos que a Euro. Ter uma CAN a cada dois anos é bom a nível comercial? Isso desenvolveu as infraestruturas? Pensem em mudar para cada quatro anos.”

De acordo com a agência de notícias Associated Press, para Infantino, as receitas da competição poderiam ser “seis vezes maiores” com a realização a cada quatro anos em relação ao intervalo atual de dois anos, tornando-se um torneio prestigiado não só pela África, mas também pelo resto do mundo.

As conversas acontecem em meio a uma preocupação continental para encontrar caminhos para diminuir a distância econômica abissal entre o futebol africano e o europeu. Um estudo de 2017, de Harvard, mostrou que todos os clubes da África juntos têm faturamento de menos de US$ 400 milhões, enquanto os dez principais clubes da Europa ganham mais que isso individualmente.

Por falar em clubes europeus, eles certamente gostarão das declarações de Infantino. A CAN 2021 está programada para acontecer novamente no começo do ano, como em basicamente todas as edições no passado, e Jürgen Klopp é um dos que se queixaram sobre a alteração.

Inicialmente, a CAN 2021 aconteceria no período entre temporadas europeias, mas o país-sede, Camarões, mudou o mês de realização por conta da previsão de uma temporada de chuvas fortes em junho. Assim, equipes perderão jogadores importantes no meio da próxima temporada. Uma realização a cada quatro anos diminuiria a interferência em seus elencos.

Por outro lado, mexer nisso é mexer com uma tradição de mais de seis décadas. Mais do que simplesmente sugerir alterações significativas, a Fifa precisa ouvir as demandas do futebol no continente.