Jogadores espanhóis quase sempre concluem seu processo de formação nas categorias de base dentro da Espanha – algo óbvio, considerando a qualidade do trabalho do país em suas “canteras”. Nos últimos anos, se tornou mais comum que alguns dos principais prodígios espanhóis fossem pinçados antes, quase sempre atraídos pelo poderio financeiro da Premier League. Dani Olmo, porém, seguiu um caminho diferente. Nascido na Catalunha e com uma passagem de sete anos por La Masia, ele abraçou o projeto oferecido pelo Dinamo Zagreb em 2014. Após cinco anos na Croácia, sem nunca ter atuado profissionalmente em seu país, o meia é premiado com a primeira convocação à seleção principal da Espanha.

Dani Olmo fez sua ousada escolha quando tinha 16 anos. Ser destaque na base do Barcelona não é garantia de ter espaço entre os profissionais. Muito pelo contrário, os frutos de La Masia vêm minguando ao longo desta década. Procurado pelo Dinamo Zagreb, ele aceitou se mudar ao um clube com uma base igualmente prolífica, mas onde fatalmente teria sequência se realmente vingasse. Iria a um dos melhores vendedores de jovens da Europa e concluiria sua formação por lá, antes de almejar saltos maiores. O momento de ambicionar mais chegou, cinco anos depois.

Integrado inicialmente ao segundo quadro do Dinamo Zagreb, Dani Olmo se tornou mais frequente no time principal a partir de 2016/17 e virou titular na temporada seguinte. Este é o seu terceiro ano como uma figura central do clube, sempre contribuindo com gols e assistências. Não foi a mudança que o privou das seleções de base da Espanha, e o meia teve sucesso principalmente no sub-21. Durante o último Campeonato Europeu da categoria, Olmo arrebentou. Além de campeão, terminou eleito também para a seleção da competição. Uma ascensão que se nota na boa campanha do Dinamo na Champions League.

Se já vinha brilhando no Campeonato Croata, desta vez Olmo se coloca entre as revelações da Champions. Já tinha gastado a bola durante as preliminares, com três gols e três assistências nas cinco partidas do Dinamo. Agora, na fase de grupos, alimenta as esperanças de classificação da sua equipe. Atuando como meia central ou como ponta, contribuiu com um gol e uma assistência. Mais impressionante é o repertório vasto de dribles e também a aptidão para criar jogadas com sua visão. Está claro que a Croácia logo ficará pequena ao camisa 7. Seu valor de mercado atual é estimado em €30 milhões, mas não se duvida que possa sair por mais. A um clube que sabe muito bem vender suas pérolas, a expectativa é de que registre o novo recorde.

Em suas entrevistas, Olmo se mostra um jogador centrado e com muita consciência tática – até por influência do pai, que é treinador. O reconhecimento da seleção espanhola parece um passo natural, a quem pode muito bem se firmar no ciclo rumo à Eurocopa. Jogar no Dinamo Zagreb não é uma contraindicação ao garoto. Pelo contrário, mostra como ele não segue necessariamente o óbvio. E, a quem vê seus jogos, sabe o tamanho dos méritos. A ida para um clube de maior projeção é questão de tempo.

Dani Olmo é o único novato na convocação de Robert Moreno. A lista, contudo, inclui outros tantos jogadores jovens – como Fabián Ruiz, Rodri, Pau Torres, José Luis Gayà e Mikel Oyarzabal. Enquanto a Espanha ainda tateia seu caminho sem as gerações vitoriosas, os garotos se mostram como importantes alternativas. Garantida na Eurocopa, a equipe fará suas duas últimas partidas pelas eliminatórias do torneio. Pegará Romênia e Malta nos dias 15 e 18 de novembro. Bons jogos para Olmo mostrar seu cartão de visitas a quem não o conhece.

Vale conferir também o peculiar anúncio de Robert Moreno. Para comemorar os 200 anos do Museu do Prado, em Madri, os atletas se transformaram em pinturas: