Não ser bem tratado nas arquibancadas de um estádio de futebol, infelizmente, é a regra no futebol brasileiro. E não estou falando aqui de ter um garçom particular graças aos ingressos absurdos de caros oferecidos nas novas “arenas”. Não, falo do simples e puro respeito; do preço justo ao espetáculo que se apresenta; da segurança preventiva para que todos consigam ter confiança de frequentar as tribunas; da abertura para que a verdadeira festa aconteça com bandeirões ou outros instrumentos. Normalmente, já anda difícil unir o básico para que o estádio seja um lugar de todos, o que torna indiferente a oportunidade de se sentar em uma cadeira colorida ou de ficar em pé no concreto. Este final de semana, porém, teve seus requintes de crueldade. O pior episódio, sem dúvidas, aconteceu no Rio de Janeiro. Da falta de bom senso dos dirigentes ao excesso de força nos arredores do Maracanã, tudo parecia predisposto a um cenário de guerra. Mas outras tantas cidades tiveram seus problemas, da briga no metrô em São Paulo que terminou com tiros à discussão sobre o estado de conservação do Mangueirão para mais um Re-Pa.

E em meio a todo esse clima que desanima, o alento vem daqueles que podem não entender direito os problemas ao redor do futebol, mas sabem o que significa a paixão. Nas últimas horas, surgiu a imagem da empolgação do menino Heitor, um torcedor cadeirante do Vasco. O pequeno cruzmaltino havia ficado triste pela pendenga mesquinha entre os cartolas, embora não tenha deixado de vibrar quando os portões do Maracanã foram abertos. A alegria do garotinho é aquilo que nos mostra qual a essência do futebol, mesmo diante do caos ocorrido no Rio de Janeiro. Aquela que os dirigentes não deveriam somente preservar, mas deveriam trabalhar para que aconteça. Um estádio seguro, por exemplo, é um pilar desta ideia. Pode até soar clichê, mas o futuro do futebol brasileiro precisa desses novos torcedores, que entendem o valor da identidade graças aos laços que criam. Caso contrário, as chances de arquibancadas vazias e mais extremos crescem ao futuro.

Assim como ocorreu no caso da família de Giovanna, a discussão não deveria ser sobre o porquê de Heitor ter ido ao estádio neste domingo, quando as chances de ocorrer algo problemático eram evidentes. O ponto é bem mais profundo. Tem a ver com o despreparo, com desrespeito e com o fato de que os principais envolvidos por organizar um jogo de futebol não ligam para Heitor ou outros torcedores como ele – que já enfrentam dificuldades enormes em “dias normais” nos estádios. Fiquemos, então, com a vibração do menino. É isso que faz brotar alguma esperança, mesmo que o ambiente ao redor tantas vezes tente a sufocar. O sonho de uma criança sempre vence e nos dá força para lutar ao que é essencial.

 

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É campeão!! É campeão!! . Raiz é ser Vasco!! . ???⚽???❤? . #vascodagama #vascão #campeão #timedavirada #gigantedacolina #taçaguanabara #raizéservasco #kid+

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