A Alemanha realizou diversas alterações para o jogo desta terça-feira, no Estádio Olímpico. Ainda assim, era um adversário de peso e com um estilo de jogo diferente do que a seleção brasileira se acostumou a confrontar desde a chegada de Tite. Servia como uma prova, sobretudo, defensiva. E o Brasil acaba recebendo uma nota alta pela maneira como trabalhou sem a bola, ao longo dos 90 minutos em Berlim. Entre os principais destaques, Thiago Silva e Miranda. Formaram uma dupla muitíssimo sólida, que pouco tomou sustos ao longo da noite. Saem com moral em um momento decisivo da preparação.

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É preciso ressaltar que a maneira agressiva como o Brasil se defendeu nesta terça-feira. Quando a Alemanha estava no campo de defesa, os brasileiros partiam para cima, tentando fechar os espaços. A pressão alta se iniciava com Gabriel Jesus, Willian e Philippe Coutinho. Mais atrás, o trabalho se complementava com a potência de Paulinho, Fernandinho e Casemiro, buscando travar a organização de jogo a partir de Toni Kroos. Já quando o Nationalelf avançava um pouco mais, a Seleção se compactava. Tinha um pouco mais de dificuldade pelos lados, por onde os germânicos aumentavam a intensidade. Já dentro da área, existiam dois verdadeiros xerifes, com Miranda e Thiago Silva afastando os perigos.

Miranda possui atributos como zagueiro muitíssimo valiosos. É um jogador sereno, de um perfil não muito popular a alguém de sua posição. Mas que responde na bola. O senso de posicionamento é muito bom. O tempo de bola, bastante preciso. E a leitura de jogo do veterano é privilegiada, para se colocar da melhor maneira ao bloquear o caminho de quem se aventura a passá-lo. Manteve a segurança sobretudo pelo chão, caçando os jogadores adversários quando se aproximavam da área. Sem nunca perder a compostura, em uma regularidade excepcional.

Ao seu lado, Thiago Silva viveu uma noite afirmativa em Berlim. Sim, o zagueiro não é mais o monstro do auge no Milan, em competitividade menor com o Paris Saint-Germain. No entanto, se há quem torça o nariz para o veterano, isso não deveria considerar termos técnicos. Existem entraves psicológicos, o que criou uma repulsa ao antigo capitão. Mas como defensor, tecnicamente, ele continua entre os melhores que o Brasil teve à sua disposição nos últimos anos. Veja só o que aconteceu contra a Alemanha, com Thiago ajudando a organizar o sistema e demonstrando sua qualidade nas ações. Quando insistiram pelo alto, os alemães viram crescer uma enorme barreira no miolo da zaga. Talvez a melhor partida do camisa 14 desde as quartas de final contra a Colômbia.

Tite já afirmou que existe uma disputa parelha pela titularidade na zaga. Miranda, Thiago Silva e Marquinhos estão no mesmo patamar, segundo o treinador. Mas ainda que o mais jovem ofereça mais mobilidade e energia, além de possuir o seu refinamento técnico, a atuação dos titulares nesta terça ressaltou por que ambos seguem há anos no topo. São dois defensores acima da média, sem sombra de dúvidas. E que, pela experiência em grandes competições, poderiam estar um passo à frente às vésperas da Copa.

É bom salientar: dois grandes zagueiros são parte fundamental a um sistema defensivo, mas não tudo. O coração de qualquer time está na cabeça de área, e o Brasil parece se encaixar neste sentido com Casemiro, Paulinho e Fernandinho – que, apesar de ter ido bem na proteção, inclusive permitindo o lance do gol com uma interceptação, não contribuiu tanto ao ataque. O trabalho dos três dínamos complementa o que acontece logo atrás. E com a intensidade do trio, é possível que Miranda e Thiago Silva façam o seu melhor, até facilitando as saídas mais constantes dos laterais e melhorando a cobertura no setor – talvez o ponto de maior dúvida sobre o Brasil, não à toa foco das investidas da Alemanha. Fato é que a Seleção anda muito bem servida de peças individuais que se encaixem no coletivo. O que os dois zagueiros produziram no Estádio Olímpico deixa isso claro, e pode indicar um caminho.


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