Pelo segundo ano consecutivo, o São Paulo chegou à decisão da Copinha. Comprovava a qualidade e a continuidade de seu trabalho nas categorias de base, mesmo com a mudança no comando técnico. E desta vez os tricolores não deixariam a taça escapar. Soberanos durante boa parte do embate no Pacaembu, os são-paulinos abriram dois gols de vantagem, mas também quase sofreram uma virada heroica do Vasco, que pressionou e arrancou o empate por 2 a 2. O placar igualado provocou a disputa por pênaltis, sob uma chuva torrencial no aniversário da capital. Pois os paulistas contaram com a estrela do goleiro Thiago Couto para vencer por 3 a 1. Faturaram o seu quarto título na Copa SP. E tinham uma razão a mais para comemorar. Afinal, a pequena Larissa valeu uma grande motivação rumo à finalíssima.

Larissa tem seis anos e é torcedora fanática do São Paulo. Desde 2017, a menina luta contra um tumor no cérebro, se transformando em um exemplo por sua perseverança e por sua candura acima das dificuldades. Moradora de São Carlos, ela costuma visitar o centro de treinamentos do Tricolor e, nesta Copinha, frequentou assiduamente as arquibancadas da Fonte Luminosa, onde os são-paulinos atuaram na maior parte da campanha. A menina se aproximou dos juniores e se tornou um xodó do elenco, a ponto de entrar em campo em um dos jogos do time. Ficou amiga principalmente de Antony, um dos destaques tricolores. Inclusive, o camisa 7 anotou um emocionante gol que dedicou à garotinha.

 

Mais do que uma torcedora, Larissa virou um talismã do São Paulo. E, embora siga enfrentando o câncer que reapareceu, mesmo depois de cirurgia e quimioterapia, a menina frequentou os vestiários do Tricolor antes dos jogos decisivos da Copinha. Não seria diferente nesta sexta. Desta vez, porém, a própria garota foi surpreendida. Todos os jogadores do elenco rasparam os seus cabelos. Antes da partida, posaram a uma foto com Larissa, fazendo o “L” com as mãos. Seria também por ela que os são-paulinos jogariam no Pacaembu.

O início da final foi intenso, com as duas equipes marcando forte. Logo o São Paulo passaria a dominar as ações e a bombardear a meta do Vasco. O Tricolor perdeu algumas boas chances, até abrir o placar aos 38 minutos. O lance nasceu em uma falta reclamada pelos vascaínos, que o árbitro ignorou. Antony recebeu pelo lado direito e não se importou com a marcação dupla, descolando um cruzamento perfeito na cabeça do artilheiro Gabriel Novaes. Vantagem merecida, que se ampliou logo no início do segundo tempo, após o temporal se intensificar no Pacaembu. Antony também deixou o dele aos sete minutos. Lançado em profundidade, o camisa 7 ganhou do marcador na corrida e, dentro da área, bateu por baixo do goleiro.

Naquele momento, o título parecia nas mãos do São Paulo. Porém, o time se acomodou e o Vasco tirou energias de onde não se via. Pouco a pouco, os cruz-maltinos começaram a bombardear a meta de Thiago Couto e o goleiro tricolor contava com a falta de pontaria de seus oponentes. A reação só começou aos 30, a partir de Lucas Santos. Em uma falta na entrada da área, o camisa 10 bateu no capricho e a bola tocou no travessão, antes de entrar. Os cariocas estavam vivíssimos, com a contribuição da boa entrada de Riquelme. E pulverizaram a desvantagem oito minutos depois. Em cruzamento de primeira para dentro da área, Tiago Reis teve tempo para matar no peito e fuzilar. Os vascaínos pareciam prontos a uma inimaginável virada. Os são-paulinos se seguraram e a eletrizante final teria o desfecho mais dramático possível, na marca da cal.

No início da disputa por pênaltis, a frieza dos jogadores impressionou. Os tricolores Ed Carlos e Morato, bem como o vascaíno Lucas Santos converteram as suas cobranças. O primeiro erro foi justamente do artilheiro Thiago Reis, telegrafando o chute para a defesa de Thiago Couto. Tuta fez mais um ao São Paulo e Gabriel Norões carimbou o travessão. Quando poderia definir a parada aos paulistas, Marcos Júnior isolou. Sua apreensão, ao menos, não duraria muito. Logo na cobrança seguinte, Thiago Couto frustrou Riquelme e defendeu outra penalidade, aquela que confirmou a vitória dos são-paulinos por 3 a 1.

Larissa, obviamente, seria lembrada na comemoração do título. A menina foi citada nas entrevistas depois do jogo e, durante a entrega do troféu, apareceu em campo com uma capa para protegê-la da chuva. Com ela, a festa se tornou completa. E o São Paulo tem motivos para confiar que esta safra renderá frutos ao time principal. Talentos como Antony, Morato e Gabriel Novaes merecem ser observados por André Jardine, da mesma maneira como o Vasco tem os seus prodígios para o elenco de cima. Independentemente do futuro dos jovens, os dois times promoveram uma decisão inesquecível à Copinha. Que, entre os finais felizes possíveis, teve o melhor, com o sorriso de Larissa ao lado de seus amigos com as cabeças raspadas.


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