A temporada dominante do Barcelona no Campeonato Espanhol se fundamentou em um trinômio: Marc-André ter Stegen, defesa forte e Lionel Messi. A campanha invicta depende basicamente destes três fatores, diante daquilo que Ernesto Valverde tem realizado na Catalunha. Não há mais o tiki-taka de antes, não se vê o futebol ofensivo de outros tempos. E quando o tripé perdeu a sustentação, a campanha dos blaugranas na Liga dos Campeões desmoronou. O milagre da Roma no Estádio Olímpico foi proporcionado pela enorme atuação dos giallorossi, implacáveis, que mereciam ir além dos 3 a 0 no placar. Enquanto isso, os catalães se afundavam em suas próprias limitações.

LEIA MAIS: No pulsar do Olímpico, Roma faz o milagre para eliminar Barcelona e avançar à semifinal

A defesa do Barcelona perdeu consistência nas últimas semanas. Basta ver a maneira como o time esteve exposto contra o Sevilla, na intensa exibição dos andaluzes no Ramón-Sánchez Pizjuán, pelo Campeonato Espanhol. A incompetência dos rojiblancos nas conclusões impediu uma vitória fácil, com Messi buscando o empate nos minutos finais. Mas, ao menos, deixou uma grande lição à Roma. Os italianos aproveitaram o exemplo e, de uma maneira diferente, trataram de estrangular os blaugranas no meio-campo. As bolas longas foram o caminho para Edin Dzeko. Assim, com Samuel Umtiti e Gerard Piqué tão vulneráveis quanto no Nervión, nasceram os dois primeiros gols dos anfitriões.

Ter Stegen, do trinômio, foi o único que fez a sua parte. Não teve culpa nos gols, quase pegou o pênalti, realizou um milagre evitando que o terceiro tento acontecesse antes. Não é sempre que vai salvar tudo, porém. E quando mais se necessitou, o ataque não ajudou. Messi teve uma de suas atuações mais apagadas com a camisa blaugrana, pouco produzindo. Em um time sem ideias no meio-campo, o camisa 10 não funcionou. Parou em meio à marcação dobrada e as entradas firmes dos romanistas. Nos minutos finais, o artilheiro até buscou um lampejo, mas nada suficiente para mudar a sorte do Barcelona. Decepcionou, em uma Liga dos Campeões na qual foi menos preponderante que seu costume.

A importância de Messi para o sucesso do Barça na Champions, aliás, é gritante. Os números levantados pelo Mister Chip enfatizam isso. Desde 2006/07, em todas as eliminações dos catalães no torneio continental, nunca o craque balançou as redes. Passou em branco tanto na ida quanto na volta contra Liverpool (2007), Manchester United (2008), Internazionale (2010), Chelsea (2012), Bayern de Munique (2013), Atlético de Madrid (2014 e 2016), Juventus (2017) e agora Roma. E se antes o seu papel para definir já era inegável, desta vez a dependência se torna maior, até pela funcionalidade que o camisa 10 possui na armação. Luis Suárez brigou no ataque, mas não recebeu as bolas que precisava. Sem apoio, Messi submergiu.

E aí entra, principalmente, os questionamentos a Ernesto Valverde. A base do time que ele planejou não engrena. Nesta terça, particularmente, o treinador parecia sem ideias para resolver os problemas de sua equipe. Tomando um baile da Roma, preferiu se fechar para não sofrer o terceiro gol. Mais ridículo, os visitantes gastavam o tempo de maneira pueril. E quando o desastre se delineou com o tento de Kostas Manolas, veio a pressa. O comandante usou Ousmane Dembélé  e Paco Alcácer como cartas de desespero, o que não surtiu efeito no parco tempo que restava. Ficou a frustração para um time que pode ser muito bom em porcentagens e números, mas não entrega o que promete quando se assiste às suas partidas – exceto quando Messi arrebenta. O coletivo está um degrau abaixo em relação àquilo que o Barça já fez em outros momentos.

O Barcelona atravessa um claro período de reflexão. Que chegue nas fases finais da Liga dos Campeões frequentemente, a impotência é outra constante nas eliminações recentes. E isso aumenta pressão, até pelo sucesso esmagador que reluz no rival Real Madrid. Hora de confiar em Valverde ou já buscar mudanças? Difícil imaginar o que se passará nos corredores blaugranas, embora o investimento no elenco tenda a ser mais pesado nos próximos meses. As opções atuais não parecem ser suficientes, em um elenco relativamente curto e com jogadores incapazes de mudar uma partida como se imagina.

Pode ser que os blaugranas conquistem La Liga de maneira invicta, mas isso não bastará para criar uma sensação de que a temporada foi realmente satisfatória. Mais do que conquistar o máximo, deslumbrar também é uma questão de honra no Camp Nou. O time de Valverde, todavia, não conseguiu cumprir este preceito durante boa parte dos últimos meses. Dependeu de Messi e, quando o craque não apareceu, o amargor ficou.


Os comentários estão desativados.