Última instância possível na briga contra o fim antecipado da Ligue 1 da maneira como ele aconteceu, o Conselho de Estado da França decidiu nesta terça-feira (9) que Amiens e Toulouse não poderiam ser rebaixados. Entretanto, o recurso do Lyon, pedindo a retomada da temporada 2019/20, foi rejeitado.

Depois de audiência na semana passada, em que Amiens, Toulouse e Lyon apresentaram seus argumentos contra a decisão da Ligue 1 de dar por encerrada sua temporada com a classificação de momento, o Conselho de Estado, órgão responsável pela regulação de entidades com jurisdição nacional, revelou sua deliberação nesta terça-feira.

O juiz administrativo do Conselho de Estado levou em consideração que, à época da decisão, no fim de abril, o Conselho de Administração da Liga tomou a decisão que parecia melhor no momento, levando em conta a situação sanitária, a necessidade de se preparar para a temporada seguinte e o limite dado pela Uefa para a conclusão dos campeonatos nacionais, em 3 de agosto.

Portanto, “não há dúvidas sérias quanto à legalidade desta decisão, que pesou as vantagens e desvantagens de uma suspensão imediata do campeonato, ao passo que havia grande incerteza se as competições poderiam ser reiniciadas em tempo hábil”, diz comunicado do Conselho de Estado.

Para justificar a invalidação da decisão de rebaixar Amiens e Toulouse, a última instância desta batalha judicial afirmou que a Liga de Futebol Profissional não poderia basear sua deliberação em seu acordo com a Federação Francesa (FFF) de limitar a primeira divisão a 20 clubes. À luz disso, ordena que a Liga de Futebol Profissional, junto com a FFF, “reexamine a questão do formato da Ligue 1 para a temporada 2020-2021 (…) antes de 30 de junho”. Ou seja, reconsidere a possibilidade de uma primeira divisão com 22 equipes, antes descartada.

Tratando-se da última instância, a decisão desta terça-feira é final, e, portanto, é seguro afirmar que o Lyon estará fora de competições continentais europeias pela primeira vez desde 1996/97, motivo pelo qual Jean-Michel Aulas, presidente lyonnais, brigava tão ferozmente contra o fim do campeonato.

Naturalmente, com o precedente aberto nesta terça-feira, Orléans e Le Mans, rebaixados para a terceira divisão, têm motivação extra para buscar anular seu próprio descenso.