Arsenal e Chelsea podem não estar em seus momentos mais gloriosos, mas farão, neste sábado, uma final de Copa da Inglaterra pesada. Serão 21 títulos em Wembley divididos entre o primeiro e o terceiro colocado na lista de clubes que mais vezes a venceram, representando a força de Londres na competição mais antiga do mundo.

Há uma diferença interessante entre a quantidade de conquistas das equipes da capital na Copa da Inglaterra e no Campeonato Inglês, dominado pelos times de Liverpool, com 28 troféus (19 do Liverpool, 9 do Everton) e Manchester, com 26 (20 do United, 6 do City).

Londres tem um total de 21 títulos ingleses, concentrados no Arsenal (13) e no Chelsea (6), cuja maioria é mais recente. Os outros dois times mais poderosos da cidade nunca tiveram muito sucesso na liga nacional, com apenas dois troféus para o Tottenham e nenhum do West Ham.

Na Copa da Inglaterra, a situação é diferente. O Arsenal também tem 13 conquistas, o Chelsea foi campeão oito vezes. O grande salto é porque o Tottenham também tem oito conquistas, e o West Ham, três. Além disso, o Charlton e o Wimbledon contribuíram com uma cada um.

Manchester segue bem colocado nessa lista, com 12 títulos do United e seis do City. E ainda tem um bônus porque o Bury (2) e o Wigan (1) ficam em sua região metropolitana. Liverpool tem um total de 12 conquistas, sendo sete do Liverpool e cinco do Everton.

Arsenal e Chelsea, os carros-chefe de Londres, farão, neste sábado, sua terceira final, com duas vitórias do Arsenal nos encontros anteriores.

2001/02: O prelúdio de grandes feitos*

*Texto inicialmente publicado em fevereiro de 2017

O Millenium Stadium recebeu duas equipes em momentos diferentes naquele 4 de maio de 2002. Depois de ser rebaixado no final dos anos oitenta, o Chelsea havia conseguido se estabelecer na Premier League na década seguinte, com direito a um terceiro lugar e apenas campanhas de parte de cima da tabela a partir de 1996. Estava prestes a disputar a terceira de Copa da Inglaterra desse período, já com dois títulos na mala. Mas ainda era uma equipe de segundo escalão, embora isso estivesse prestes a mudar. Diferente do Arsenal. O time de Arsène Wenger venceu o Campeonato Inglês duas vezes, inclusive naquela temporada, e foi vice outras três nesse período. Era um timaço que estava muito próximo de alcançar o seu auge.

A decisão da Copa da Inglaterra de 2002, a primeira vez que Arsenal e Chelsea decidiram o campeonato mais antigo do mundo, foi um prelúdio de mudanças e de grandes feitos para as duas equipes. O clube do oeste de Londres seria comprado por Roman Abramovich, um ano depois, e subiria rapidamente de patamar com o bicampeonato inglês conquistado sob o comando de José Mourinho. O Arsenal, por sua vez, seria segundo colocado na temporada seguinte, antes de vencer a Premier League de maneira invicta e chegar à final da Liga dos Campeões, o canto do cisne de um dos melhores times que o norte da capital britânica já teve.

Essa partida foi simbólica porque a ascensão do Chelsea, pouco depois daquela final, tem relação intrínseca com o futuro do Arsenal, não apenas porque foi esse time o vice-campeão dos Invencíveis e o responsável por eliminá-los da Copa dos Campeões. A chegada de um milionário inflacionando o mercado e atraindo jogadores até mesmo de outros clubes ingleses atrapalhou o planejamento de Wenger, cujo cálculo era o prosseguimento do duelo cabeça a cabeça com o Manchester United, como foi entre 1997 e 2004, período em que os dois clubes revezaram-se na ponta da tabela da Premier League. Depois do título invicto, o Arsenal nunca mais foi campeão e só conseguiu ficar em segundo lugar duas vezes. Já o Chelsea ganhou quatro títulos da liga nacional e foi vice mais três vezes.

Em 2002, a semente dos Invencíveis já estava plantada. O Arsenal, recém campeão inglês, entrou em campo com Seaman; Lauren, Cambpell, Tony Adams e Ashley Cole; Vieira, Parlour, Wiltord e Ljunberg; Henry e Bergkamp. Sete jogadores que formariam a base da equipe imbatível, com os reforços de Lehmann, Kolo Touré, Gilberto Silva e Robert Pires. O Chelsea, no entanto, seria reformulado nos anos seguintes. Do time que encarou os Gunners em Cardiff naquela ocasião, apenas Lampard, Gallas, Gudjohnsen e o jovem Terry, que entrou no segundo tempo no lugar de Babayaro, teriam participação substancial no primeiro título inglês da Era Abramovich.

Não foi um jogo fácil, decidido com dois golaços do Arsenal. Parlour acertou seu petardo de fora da área para abrir o placar, aos 25 minutos do segundo tempo. Dez minutos depois, Ljunberg fez jogada individual, ganhou da marcação na raça e, na classe, acertou um belo chute colocado no ângulo de Cudicini: 2 a 0, placar final. Os Gunners venceriam o Manchester United, quatro dias depois, para selar o título inglês e reivindicar a terceira Dobradinha de sua história.

2016/17: O último grande título de Wenger

Arsene Wenger, do Arsenal (Photo by Ian Walton/Getty Images)

Arsène Wenger merecia um final melhor. Saiu do Arsenal um pouco tarde demais para não sofrer críticas pela maneira como decaiu um trabalho que assegurou três títulos da Premier League, um deles de maneira invicta, e sete da Copa da Inglaterra, além de uma final da Champions League. A final da FA Cup de 2017 acabou sendo o seu canto do cisne, seu último grande título pelos Gunners – ganharia também a Community Shield alguns meses depois.

O Arsenal não era favorito. Havia tido, inclusive, uma temporada complicada que terminou em quinto lugar na liga. Encerrara a sequência de de 19 anos consecutivos disputando a Champiosn League. Era comandado por Mesut Özil, ainda afim de jogar bola, e Alexis Sánchez, mas enfrentaria o Chelsea de Antonio Conte, que buscava a Dobradinha após ser campeão inglês com folgas.

Sánchez abriu o placar com um gol polêmico, na era pré-VAR. Tentou o lançamento, David Luiz rebateu, e o próprio chileno interceptou a bola, aparentemente com as mãos. Ramsey também estava impedido, mas abriu mão da jogada, e Sánchez completou com um chute com a parte de fora do pé.

Sánchez comandava as ações do Arsenal. Puxou o contra-ataque, deixou Özil em boa situação pela direita. O chute do alemão venceu Courtois, mas Cahill conseguiu o corte em cima da linha. Em cobrança de escanteio, Welbeck cabeceou no pé da trave. Ramsey apareceu para o rebote, mas acabou levando um susto e não conseguiu o direcionar.

A bola longa para Diego Costa funcionou para o Chelsea. Pedro lançou, Costa ganhou de Rob Holding, mas parou em Ospina, que saiu com coragem do gol. Moses também foi frustrado pelo colombiano, já no segundo tempo, após bom trabalho de pivô do brasileiro naturalizado espanhol, e depois foi expulso ao receber o segundo cartão amarelo por simulação.

Mesmo com um a menos, o Chelsea conseguiu descontar. Costa matou no peito o lançamento de Willian e bateu de perna direita. Ospina chegou a tocar na bola. No entanto, três minutos depois, o Arsenal voltou à frente. Giroud, que havia acabado de entrar no lugar de Welbeck, cruzou da esquerda, rente à linha de fundo, e Ramsey apareceu para completar de cabeça.

Ospina precisou fazer uma bela defesa, novamente contra Diego Costa, e Özil ainda perdeu a chance de matar o jogo no contra-ataque, acertando a trave, mas o Arsenal não sentiu falta desse gol.

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