Quatro vezes campeão da Copa da Inglaterra e figurinha carimbada da Premier League no começo do século, o Bolton passa por uma crise financeira que não parece ter fim. Um novo capítulo começou nesta segunda-feira. Em solidariedade aos funcionários do clube, os jogadores decidiram não treinar por 48 horas, a não ser que os salários de março sejam pagos, o que deveria ter acontecido na última sexta-feira. É o segundo mês consecutivo que o dono Ken Anderson atrasa os vencimentos.

Desde que foi rebaixado da Premier League, em 2012, problemas financeiros são recorrentes no Bolton. O clube por pouco escapou da falência em 2015/16, com dívidas na casa das £ 172 milhões, quando caiu da segunda para a terceira divisão, ao ser comprado por Dean Holdsworth e Ken Anderson, que comprou a parte do seu sócio e atualmente é o único dono dos Wandereres.

Isso serviu para estabilizar um pouco a situação, e o Bolton voltou imediatamente à Championship, com o segundo lugar da League One. Mas a tranquilidade não durou. Em meio a uma segunda briga consecutiva contra o rebaixamento, o risco de entrar em falência e perder 12 pontos – na próxima temporada – é mais uma vez muito palpável.

O Bolton retorna à frente da Justiça na próxima quarta-feira, depois de Anderson receber um adiamento de duas semanas, em 20 de março, para completar a venda do clube para um novo dono. Caso a dívida de £ 1,2 milhão em impostos não seja resolvida, há o risco de colocar o Bolton sob administração. Semana passada, os funcionários foram informados que a venda deveria ser concluída até o fim de semana.

Anderson alcançou esse mesmo estágio em fevereiro, quando os salários também atrasaram. A transferência das ações do clube para um consórcio liderado por um empresário chamado Parminder Basran não foi concretizada. As conversas agora são com o ex-dono do Watford, Laurence Bassini, e o acordo ainda não foi finalizado. Os funcionários estão particularmente irritados com o que consideram ser uma falta de comunicação do dono.

“Não há nenhuma compaixão”, teria dito uma fonte dos funcionários ao Telegraph. Depois do atraso de fevereiro, os jogadores emitiram um comunicado em que expressavam “extrema decepção” com Anderson. Após mais um atraso, o elenco decidiu tomar medida mais drásticas, com uma greve de 48 horas. De acordo com o Daily Mail, Anderson acredita que essa atitude joga contra a venda do clube e que pode ser obrigado a colocar o Bolton sob administração, caso “os jogadores não reconsiderem suas ações”.

Esta é a segunda vez, apenas nesta temporada, que o Bolton corre o risco ficar sob administração. Em setembro, Anderson conseguiu escapar de uma dedução de 12 pontos na Championship ao chegar a um acordo de £ 4,8 milhões com credores. Como o prazo para uma punição ainda nesta edição da Championship era 28 de março, caso Anderson não seja capaz de resolver os problemas financeiros do clube, a dedução seria na próxima temporada, para a qual o Bolton ainda não está garantindo na segunda divisão. A sete rodadas do fim, o time é o vice-lanterna, a cinco pontos de sair da zona de rebaixamento.