Iker Casillas figura entre os melhores goleiros da história do futebol europeu. O que ele protagonizou no Real Madrid por mais de uma década, em tempos de “Zidanes ao setor ofensivo e Pavones à defesa”, é absolutamente fantástico. Não foram poucas as noites no Santiago Bernabéu que terminaram com o garoto de Móstoles como herói. E, como se não bastasse, ele se eternizou ainda mais por todas as conquistas com a seleção espanhola. Olhando para trás, os últimos anos devem ter sido bem difíceis ao camisa 1. Sua queda técnica combinou-se com problemas de relacionamento. As últimas imagens por Real e Espanha não foram tão condizentes à verdadeira lenda escrita antes. Já no Porto, teve os seus momentos de brilho, mas também conviveu com o declínio. O que não impede de nos lembrarmos do monstro que foi Casillas em seu auge. Algo que Anfield, de maneira tocante, tratou de exaltar.

O jogo estava decidido. Liverpool e Porto entraram em campo pela Liga dos Campeões por mera formalidade, depois da goleada dos Reds por 5 a 0 no Estádio do Dragão. E em meio ao embate morno, Casillas ganhou uma chance. Reserva no jogo de ida, ele entrou em campo no mítico estádio de Anfield. Naquela que, talvez, seja a última partida de sua carreira pela Champions. A diretoria portista anunciou que não renovará o contrato com o veterano, considerando seu alto salário. Assim, resta a dúvida se, às vésperas de completar 37 anos, ele encontrará outro clube que o permita disputar o torneio que tanto marcou sua carreira, com três taças conquistadas.

Casillas relembrou seus melhores tempos em Anfield. Que o Liverpool não tivesse tanto interesse na partida, o arqueiro passou os 90 minutos sem sofrer um gol sequer. Foi seu 56° “clean sheet” na Champions, um recorde. E não que não tenha trabalhado, com direito a uma defesa milagrosa em cabeçada de Danny Ings nos minutos finais, segurando o 0 a 0 no placar. Além disso, completou seu jogo de número 167 pela competição continental, também recordista absoluto no quesito. Não se reconta a história do torneio sem mencionar os feitos do camisa 1.

A cena mais bonita, todavia, aconteceu na volta ao segundo tempo. Quando Casillas se dirigia à sua meta, à frente da mítica The Kop, recebeu os aplausos da torcida do Liverpool. O gesto das tribunas é costumeiro aos goleiros adversários em Anfield, mas ganhou intensidade em homenagem ao espanhol, ovacionado pelos ingleses. Um momento breve, mas significativo. Demonstra bastante o respeito inspirado por San Iker em toda a Europa. Contam-se nos dedos – e de uma mão – os goleiros que foram tão bons quanto ele nos últimos 18 anos.

“Se esta foi a minha despedida da Champions, não foi nada mal. Estava em um estádio fantástico, não sofri gols… Mas ninguém sabe o que o futuro guarda. Se eu olhar para trás, posso me sentir orgulhoso com as coisas que ganhei no esporte, tudo o que conquistei. Gostaria de agradecer à torcida. São muitos anos de Champions e é grandioso vir a um estádio como este e ganhar uma recepção calorosa como esta. Ser aplaudido pelos adversários não é o tipo de coisa que acontece sempre com você”, declarou Casillas.

As ambições de Casillas, entretanto, continuam firmes até o final da temporada. O goleiro recuperou a titularidade do Porto nas últimas semanas e busca ajudar sua equipe a reconquistar o Campeonato Português. Na sexta-feira passada, teve participação fundamental na vitória por 2 a 1 sobre o Sporting, com uma defesaça no apagar das luzes para negar o empate aos concorrentes diretos. Nada mais digno à história do espanhol que, em seu último ato no Dragão, dê sua contribuição para recolocar os portistas no topo do país.


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