Desde a segunda rodada da Ligue 1, acostumou-se a ver o Lyon entre os três primeiros colocados na tabela. Apesar de suas limitações, o OL permaneceu no pódio durante longo período e deu a impressão de que poderia incomodar o Paris Saint-Germain na disputa pela taça. A vaga na Liga dos Campeões parecia bem próxima de se concretizar, mas a reta final do campeonato tem sido cruel para os lioneses. A derrota por 1 a 0 para o Stade Reims fora de casa jogou o time para a quarta posição e um momento cada vez maior de incertezas.

O Lyon completou cinco partidas sem vencer na Ligue 1 e com a terceira derrota consecutiva – algo que não acontecia desde 1993. Assim como no revés para o Sochaux em pleno Gerland na rodada anterior, o OL foi completamente dominado pelo rival em todos os níveis. Não foi falta de aviso. Com um elenco enxuto, formado por muitos jovens inexperientes, faltaria perna exatamente na hora da decisão. A equipe dá poucos sinais de reação, o que preocupa a torcida e deixa a vaga na LC mais distante.

Para este desafio contra o Stade Reims, Remi Garde repetiu a formação que entrou em campo contra o Sochaux. No entanto, o 4-4-2 preparado pelo treinador não funcionou. Aliás, qualquer esquema tático teria dado errado neste jogo. A apatia defensiva dos lioneses foi irritante. Os donos da casa exploravam esta fragilidade com uma pressão insistente na saída de bola do OL que minou todas as chances de reação dos visitantes.

O retrato deste jogo de ataque contra defesa foi a participação quase nula de Bafétimbi Gomis e Lisandro López. Escalados juntos para tentar aumentar o poder de fogo dos lioneses, os dois atacante foram meros espectadores do duelo. Nas raras oportunidades tidas por cada um, o individualismo falou mais alto. Não havia plano B; Grenier, que poderia ser uma válvula de escape pela esquerda, ficou isolado. Pior para o Lyon, perdido dentro de campo e entregue à derrota.

Garde tentou consertar a situação para o segundo tempo e dar alguma vivacidade ao seu ataque. Tirou Lisandro e colocou Briand, alterando o esquema da equipe para um 4-2-3-1. O pesadelo continuou e o Stade Reims foi finalmente recompensado com o gol da vitória. O desastre coletivo protagonizado pelos lioneses compromete as esperanças da diretoria, que sonhava com uma classificação para a LC para dar um fôlego ao seu cofre combalido.

A frustração se tornou ainda maior para o Lyon ao ver quem assumiu a terceira posição: o rival local Saint-Étienne. A se julgar pelo momento excelente vivido pelo Lille e pela reação do Nice, o OL precisa abrir o olho também se quiser ao menos assegurar uma vaguinha na Liga Europa. Da forma arrastada como tem se apresentado, o time corre sério risco de morrer na praia sem gás após um início animador a plenos pulmões.

Lille em alta

A goleada por 5 a 0 sobre o Lorient encheu o Lille de moral na briga por uma vaga na próxima LC. O LOSC ficou a apenas um ponto do pódio e chega sobrando nesta disputa. A equipe conquistou sua sétima vitória nos últimos oito confrontos disputados e se candidata desde já para atropelar a concorrência e beliscar a vaga. Sem exageros, os Dogues têm feito as melhores apresentações das rodadas mais recentes da Ligue 1.

O festival do Lille se traduz no placar do duelo após apenas 35 minutos: 4 a 0 para os anfitriões, fora o baile. Muito desse desempenho avassalador se deve à atuação destacada de Salomon Kalou, que cumpre um segundo turno especial. Com cinco gols marcados nos cinco últimos jogos, o atacante se redescobriu ao mudar um pouco seu posicionamento em campo e atuar mais à frente. Ele começou a receber mais passes, participar mais da partida e, consequentemente, seus gols se multiplicaram.

Florent Balmont pode nem aparecer tanto para a torcida, mas seu trabalho tem se revelado essencial para a ascensão do Lille. O meio-campista teve trabalho considerável no desarme e na construção de jogadas ofensivas, mas cumpriu suas funções com notável desempenho. Contra o Lorient, ele tocou 110 vezes na bola e teve um excelente aproveitamento de passes corretos: 90%.

A terceira vaga na Liga dos Campeões tem ainda dois concorrentes de menor força, é verdade, mas em plenas condições de sonhar. O ASSE subiu ao pódio com mais um tropeço do Lyon (que também está nesta disputa, mas em péssima fase) e a vitória por 1 a 0 sobre o Évian. O jogo se desenhava complicado para os Verdes, já que o ETG partiu para cima sem medo do caldeirão de Geoffroy-Guichard. Os donos da casa usaram de um artifício típico de equipes maduras psicologicamente: a paciência.

Sem pressa e sem se deixar levar pelo desespero, o Saint-Étienne aos poucos colocou a bola no chão, trocou passes e impôs seu ritmo. Ao deslocar suas jogadas pelas laterais, os Verdes conseguiram os espaços que teimavam em sumir na defesa do Évian. No segundo tempo, porém, o ASSE demorou para engrenar e permitiu o crescimento do ETG. Assim foi até Hamouma, que aproveitou muito bem as ausências de Brandão e Gradel, para marcar o gol da vitória dos donos da casa. Chegou ao fim a série de três empates e o Saint-Étienne entra de cabeça erguida nesta briga.

O Nice também fez um jogo de redenção diante do Toulouse com uma vitória espetacular por 4 a 3, fora de casa, e com um gol nos acréscimos. O OGC renasce após sofrer duas derrotas seguidas e mostra forças com um Cvitanich sempre perigoso. Embora o Lille surja como principal força nesta reta final na luta para se classificar para a LC, seus demais concorrentes ainda guardam bons motivos para sonhar.