Em quarentena desde março, Argentina pode voltar a ter futebol em breve, diz presidente

Argentina tem um dos menores números de casos da América do Sul e já estuda retorno do futebol, mas Alberto Fernanández fala em evitar aglomerações

A Argentina começa a colher os frutos de uma quarentena restrita para combater o novo coronavírus. O país fechou tudo no dia 20 de março, proibindo a circulação nas principais cidades sem uma autorização. Com isso, só mesmo os trabalhadores de serviços essenciais poderiam continuar saindo. A medida completou um mês e foi estendida até o dia 10 de maio. A restrição parece ter contido o espalhamento do vírus e o governo começa a tratar de possíveis relaxamento nas medidas. Uma delas é a volta do futebol, sem público.

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A quarentena atual da Argentina está definida até o dia 10 de maio. A quatro dias do prazo, o presidente Alberto Fernández deu indícios que o futebol profissional pode voltar a ser disputado no país, desde que tomados todos os cuidados necessários, incluindo jogos sem público.

Em entrevista à Radio com vos, o presidente argentino foi perguntado se achava que seria possível vermos futebol com público no país neste ano. “Eu não vejo isso de imediato. Creio que é preciso ser muito cuidadoso com isso, por aqui hoje podemos começar a desfrutar o futebol pela televisão, e temos que ver também os riscos do contato físico entre os jogadores, isso também é muito importante: poder ter testagem permanente da saúde dos jogadores”, disse o político.

“O que não podemos fazer é voltar a ter aglomeração de pessoas. Isso é muito perigoso”, continuou Fernández. “Os estádios argentinos nem sequer são como os europeus, que são todos plateias. Aqui temos arquibancadas e o estado de contato é muito grande. A mim, me parece que durante muito tempo vamos ter que evitar o contato em espetáculos públicos. Vamos ter que evitar, simplesmente”.

A quarentena rigorosa que os argentinos foram submetidos, chamada de obrigatória e preventiva, foi prolongada três vezes. Entre as medidas adotadas pelo governo estão patrulhas lideradas por ministros nas estradas e rastreamento dos movimentos de celulares de motoristas para que o confinamento seja respeitado.

Segundo dados do Google, a Argentina tem mais de 5 mil casos confirmados, com 264 mortes e além disso 1.459 casos recuperados. Isso dá 111 casos a cada milhão de habitantes. Menos, por exemplo, que a Alemanha, que deve voltar ao futebol. Tem mais de 167 mil casos e quase 7 mil mortes, além de mais de 129 mil recuperados. Por lá, o índice é de 2.015 casos por milhão de habitantes. O Brasil tem mais de 121 mil casos da doença registrados, com mais de 8 mil mortos, com 575 casos por milhão de habitantes. Entre os países sul-americanos, a Argentina é quem tem o menor índice de casos por milhão de habitantes.

A situação da Argentina é muito melhor e faz mais sentido que se fale por lá sobre uma possibilidade de volta do que no Brasil. Ainda assim, parece ter um fator de risco relativamente alto. Será preciso que a AFA garanta muito mais segurança antes de uma aprovação do retorno dos jogos. Assim como no Brasil, há uma pressão dos clubes para que o futebol seja retomado. Alberto Fernández tem boas relações com os clubes.