O Universitario de Sucre faz uma campanha surpreendente na Copa Libertadores. O clube boliviano ocupa a segunda colocação no grupo do Cruzeiro e segue como forte candidato à vaga nas oitavas de final. O calendário apertado, no entanto, fez com que o time boicotasse o Campeonato Boliviano. Após ter o pedido para adiar o jogo contra o Bolívar neste sábado negado, o Universitario escalou apenas sete jogadores (o mínimo exigido pelas regras) para a partida, todos eles juvenis. O duelo acabou abandonado depois de 10 minutos, por causa da lesão de um dos garotos, quando o Bolívar já vencia por 2 a 0.

O Universitario entrou em campo na última quarta-feira, quando segurou o empate com o Huracán na Argentina. Três dias depois, tinha o duelo contra o Bolívar pelo campeonato nacional, em La Paz. E o intervalo de descanso se repete na terça, quando o clube recebe o Mineros de Guayana em Sucre.

A correria é menos intensa que a do Cruzeiro, que enfrenta uma sequência de quarta, domingo e terça, com o clássico diante do Atlético pela semifinal do Campeonato Mineiro neste final de semana. Os bolivianos, entretanto, não aceitaram o desgaste e o técnico Julio César Baldivieso (aquele, ex-jogador da seleção) preferiu protestar, poupando titulares e até reservas na partida em La Paz.

A situação é parecida com a que já ocorreu entre os mesmos dois clubes, em 2012. Daquela vez, porém, era o Bolívar que disputava a Libertadores e decidiu escalar apenas alguns juvenis para o confronto. Ia perdendo por 1 a 0 quando um de seus jogadores se lesionou, aos sete minutos, e o Universitario teve a vitória consumada. Nesta semana, o presidente do Bolívar, Marcelo Claure, havia endossado o pedido dos adversário: “A obrigação de uma instituição séria como o Bolívar é sempre apoiar a outras equipes bolivianas em participações internacionais”. Já depois da partida, chamou a situação de “vergonhosa”, em crítica à federação.

Por ter se apresentado para o jogo, o Universitario não deverá ser punido, ainda que tenha entregado de mão beijada os três pontos. A questão que fica é: e se os clubes brasileiros resolvessem repetir o gesto, por um problema que também é comum aqui? Para quem vê a situação do Brasil, até parece que o time de Sucre está reclamando de barriga cheia.

* A dica do post veio do leitor Bruno Araújo. Valeu!