É difícil ver um jogador de futebol se posicionar sobre temas delicados, mas a morte de George Floyd pela polícia dos Estados Unidos foi de tamanha comoção internacional que se expressar contundentemente contra o racismo institucional no momento se tornou seguro para marcas e figuras públicas. Porém, Weston McKennie, jovem do Schalke 04 e da seleção norte-americano, deu um passo além e, de certa forma, responsabilizou o presidente dos Estados Unidos pela tensão racial que o país vive no momento.

Em entrevista ao jornal alemão Bild, McKennie afirmou que Trump pode ser chamado de racista e, diretamente, o chamou de “ignorante”.

“Não acho que Trump seja adequado para o cargo de presidente. Acho que ele não entende a responsabilidade que ele tem pelo país inteiro. Acho que ele é um ignorante. Não o apoio nem um pouco. Aos meus olhos, você pode chamá-lo de racista”, opinou McKennie.

O posicionamento do jogador, de apenas 21 anos, vem depois de toda a reação de Donald Trump após a morte de George Floyd, homem negro sufocado por um policial branco, em 25 de maio. Em vez de assumir um tom conciliador e ouvir as demandas contra a brutalidade policial sobretudo contra negros, Trump foi para a batalha, descreditando os protestos e até mesmo tentando criminalizá-los e encaixá-los como “terroristas”. Tudo isso sem falar, é claro, no histórico de posicionamentos racistas do presidente norte-americano, base sobre a qual se elegeu em 2016.

Weston McKennie puxou a fila de jogadores da Bundesliga a se manifestar por justiça para George Floyd ao vestir uma braçadeira com a mensagem de apoio ao homem negro morto pela polícia. No último fim de semana, voltou a carregar a homenagem. Depois dele, as manifestações se multiplicaram, com Sancho, Hakimi e Marcus Thuram se posicionando sobre o caso durante a mesma rodada.

Após sua primeira homenagem, McKennie foi às redes sociais complementar sua mensagem com um texto, afirmando que “é bom poder usar minha plataforma para chamar atenção para um problema que existe há tempo demais! Precisamos nos posicionar por aquilo em que acreditamos, e eu acredito que está na hora de sermos ouvidos”.