Espionar o adversário é uma prática comum nos outros países em que Pep Guardiola trabalhou, afirmou o próprio treinador do Manchester City, nesta sexta-feira. A questão surgiu depois de Marcelo Bielsa, grande influência da carreira do catalão, ter admitido que assistiu, sem ser convidado, aos treinamentos de todos os seus adversários nesta temporada. 

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A história começou semana passada, quando o Derby County descobriu o agente secreto de Bielsa em seu campo de treinamento, o que deixou Frank Lampard muito irritado. Na última quarta-feira, a Football League abriu uma investigação contra o treinador do Leeds, que convocou uma entrevista para se explicar. Guardiola afirmou que entende os dois lados e que o seu respeito pelo argentino continua o mesmo. 

E que no Barcelona e no Bayern de Munique fazia a mesma coisa. “Em outros países, todo mundo faz isso. Aqui é mais difícil, é tudo fechado, mas em todo país é o padrão, todo mundo faz isso”, afirmou. “Porque eles são abertos. Quando eu treinava o Bayern, havia pessoas em cima da uma montanha, com câmeras, vendo o que eu fazia. Era parte do clube. Não era por que eu dizia que tinha que fazer. Era parte da cultura do clube e das ligas”. 

E na Inglaterra, Pep, você já fez isso? “Não vou mandar ninguém para espionar o Huddersfield (próximo adversário do City). Se essa é a pergunta, esqueça”, respondeu, antes de entrar no campo da sociologia e analisar que o sentimento por trás dessa prática está difundido na sociedade. “Todo mundo quer saber tudo sobre os outros. Não apenas no futebol. Na sociedade. Todo mundo espia todo mundo. Você quer saber o que acontece na vida privada dessa pessoa. Todo mundo é curioso sobre o que os seus oponentes fazem. Não é uma exceção”, completou. 

Quando Bielsa treinava o Athletic Bilbao, depois de uma partida contra o Barça de Guardiola, reza a lenda que o argentino mostrou ao catalão todas as informações que havia recolhido sobre o adversário, e Guardiola teria respondido que Bielsa sabia mais sobre o Barcelona do que ele próprio. Pep confirmou a história.

“O Barcelona era um bunker. Era impossível (espionar). Como aqui. Mas é verdade a história. Nenhum treinador do mundo trabalha com essa quantidade de informação que ele produz em cada jogo, para cada jogador. Geralmente, analisam um ou dois jogos. Ele é único. Mas acho que o mais importante do que ele disse é que o futebol pertence aos jogadores. Os jogadores fazem a diferença”, encerrou.