Estava tudo equilibrado, perfeitamente dividido, como se os times tivessem combinado. Os primeiros 15 minutos foram de grande pressão do Arsenal; o quarto de hora seguinte, todo do Liverpool. A partida esta nervosa e bem disputada, como era de se esperar, até o relógio marcar 37 minutos no primeiro tempo. Deste momento em diante, o que se viu foi um passeio dos donos da casa, fortes como não se via há algumas temporadas, contra adversários que viam o sonho de voltar à Champions League ser destruído de uma vez só.

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O Arsenal venceu o Liverpool por 4 a 1 e subiu à segunda posição. O Manchester City joga na segunda-feira, porém os comandados de Wenger estão bem colocados para o primeiro vice-campeonato desde 2005. Pode ser pouco para aplacar a pressão sobre o técnico, mas essas coisas acontecem um passo de cada vez. No outro lado, Brendan Rodgers precisa se preparar para regredir. Depois de perder dois confrontos diretos, pode ficar a oito pontos da vaga na Champions League, essencial para o prestígio do clube, para atrair bons jogadores a manter os que já tem.

O Liverpool precisa deles, principalmente na defesa. Embora Mignolet estivesse a seis partidas fora de casa sem ser vazado, e a formação com três zagueiros tenha se provado um sucesso, a atuação de Kolo Touré no Emirates mostrou que o setor tem que ser prioridade no próximo mercado. Errou quase tudo, levou dribles infantis, como se não fosse um dos mais experientes do elenco. O primeiro deles, o prenúncio da tempestade, foi logo nos primeiros 15 minutos.

A favor do marfinense, todo mundo vestido de preto estava perdido naquele período. O Arsenal começou a partida com a missão clara de sufocar o adversário e conseguiu cumprir a sua missão. Os zagueiros do Liverpool erravam tanto os passes curtos e médios quanto os chutões. Os visitantes estavam sem saída de jogo, sem resposta à marcação adiantada do time de Wenger. Touré vacilou em uma tentativa de desafogar o seu time, e Ramsey apareceu cara a cara com Mignolet. O goleiro belga fez boa defesa antes do zagueiro se recuperar e evitar que Cazorla pegasse o rebote. Lucas e Sakho também erraram e poderiam ter sido castigados.

Não foram. Quando o cronômetro bateu 15 minutos, o Liverpool cresceu. O Arsenal percebeu que ficaria sem fôlego muito rapidamente se mantivesse aquela pressão e permitiu ao adversário tocar a bola. A posse mudou de lado. As chances, também. O comandante foi Coutinho. Com um tapa, lançou Markovic e viu o sérvio, livre, frente a frente com Ospina, tocar para Sterling forte demais. Grande chance desperdiçada. Depois, tentou da entrada da área e levou perigo. A outra boa oportunidade saiu, ironicamente, de um erro de passe de Cazorla. Markovic lançou Sterling, que chutou rente à trave.

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Fosse uma partida de tênis, com sets de 15 minutos, e estaria 1 a 1, mas tudo pode mudar em alguns minutos, e qualquer erro desequilibra. Alberto Moreno havia falhado duas vezes na derrota para o Manchester United. Não acompanhou Mata nos gols que o espanhol marcou. Mais uma vez, errou na defesa, o seu ponto fraco mais visível. Bellerín dominou na ponta da grande área e driblou o lateral esquerdo com o corpo. Moreno caiu na finta, e o chute do jogador do Arsenal foi preciso. Não deu tempo nem de o Liverpool sentir o golpe antes de levar outro. Özil cobrou falta da entrada da área e venceu o goleirão adversário. Mignolet foi alvo de muitas críticas por ter tomado o gol no seu próprio canto. Deveria receber ainda mais por causa do chute que praticamente decidiu a partida, de Sánchez, da entrada da área, no meio das traves. O belga não teve reação, assim como Touré, que levou um drible infantil do chileno, no começo da jogada.

Usando uma metáfora de boxe, a guarda do Liverpool estava alta e bem montada até entrar o primeiro soco. Depois disso, entraram dois diretos no queixo, e ele ficou sem reação. Rodgers tentou reanimar o seu lutador trocando Markovic por Sturridge, mas a partida estava decidida. Os donos da casa deixaram o adversário se desesperar com a bola e ficaram apenas aguardando o contra-ataque. Um pouco mais de capricho e vontade e poderiam concretizar uma goleada histórica. Preferiram o pragmatismo.

Por isso, a tônica do segundo tempo teve o Liverpool rondando a área do Arsenal, à espera de um milagre, enquanto o time que vencia aguardava uma oportunidade para fechar o caixão, já muito bem pregado. Mesmo com a bola e a necessidade, os visitantes fizeram muito pouco. Sterling, depois de uma semana complicada por causa de uma entrevista na qual manifestou um certo descontentamento, tomou todas as decisões erradas. Sofreu o pênalti do gol de honra, pelo menos, convertido por Henderson.

Para não deixar dúvida, a goleada ficou completa nos acréscimos. Giroud fez boa jogada na entrada da área e bateu com a perna canhota, no ângulo. Um golaço, bem ao estilo do futebol desempenhado pelo Arsenal neste sábado. Bem coordenado, estratégico e eficiente. Quando o adversário deu a brecha, foi impecável e mostrou os indícios de que finalmente evoluiu e pode terminar o campeonato acima da quarta colocação. O Liverpool, por sua vez, provavelmente terá que dar um passo para trás antes de pensar em dar dois para frente.