Quando os times entraram em campo no Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán, não podiam ver o espetáculo nas arquibancadas, mas apenas senti-lo. Os refletores apagados permitiam que algumas poucas luzes indicassem o caminho ao gramado. Enquanto isso, o cântico forte dos andaluzes ecoava. E no momento em que a iluminação finalmente resplandeceu, os jogadores devem ter se impactado com a multidão lotando as arquibancadas. Intimidação ao Real Madrid, força ao Sevilla, numa noite que terminou com uma vitória soberana dos anfitriões. Abusando da velocidade de seu ataque, os rojiblancos bateram os merengues por 3 a 0, quebrando a invencibilidade do clube na Liga. Resultado categórico de um time que dominou a partida no primeiro tempo e até poderia ter causado estrago maior contra os atuais tricampeões europeus.

Ao contrário de outras equipes, Julen Lopetegui não poupou jogadores para a rodada. Entrou com força máxima, depois do triunfo sobre o Espanyol no final de semana. Pablo Machín, por sua vez, vinha com mudanças pontuais para o encontro na Andaluzia. Dentro de sua proposta de jogo, destaque à força no apoio pelas alas, assim como na movimentação de André Silva e Wissam Ben Yedder na linha de frente.

O começo da partida contou com uma blitz do Sevilla. Os rojiblancos não demoraram a criar várias e várias chances de gol, pressionando a defesa do Real Madrid contra a sua área. Jesús Navas estava inspirado pelo lado direito, fazendo Marcelo sofrer, enquanto Thibaut Courtois era ameaçado constantemente. Em apenas 21 minutos, os anfitriões já abriram dois tentos de vantagem. O primeiro nasceu a partir de um passe errado de Marcelo. Logo na sequência, Navas fez boa jogada e tocou para André Silva fuzilar no contrapé de Courtois. Já o segundo surgiu em contra-ataque de manual, após bola parada dos merengues no ataque. Navas pegou a defesa adversária totalmente aberta, explorando o corredor nas costas de Marcelo, e saiu em disparada, invadindo a área. Seu chute parou em Courtois, mas André Silva estava bem colocado na área para aproveitar o rebote. As arquibancadas pulsavam mais forte.

O Real Madrid tentou responder imediatamente. Gareth Bale chamava a responsabilidade e chegou a carimbar a trave. Contudo, o Sevilla estava mais inteiro no jogo e a velocidade de suas transições causava estragos. Franco Vázquez quase anotou o terceiro aos 32, acertando o travessão. Caberia a ele atuar como garçom e ganhar a bola para Ben Yedder ampliar, após sobra em cobrança de escanteio. O atacante acertou um belo chute de primeira para explodir ainda mais o Ramón Sánchez-Pizjuán. Atônitos, os merengues não conseguiam demonstrar seu poder de reação.

O segundo tempo contou com um início intenso. O Real Madrid esboçava uma pressão, mas pecava nas conclusões. Na melhor oportunidade, Luka Modric até balançou as redes, mas o VAR flagrou bem o impedimento e anulou o tento. Pouco depois, o goleiro Tomás Vaclik ainda faria duas ótimas defesas, especialmente em tiro do croata no qual se esticou para salvar. Já do outro lado, em dois lances claros, Courtois também trabalhou para evitar o quarto dos rojiblancos. Mais ofensivos, os madridistas pecavam pela imprecisão.

Além disso, Lopetegui levou certo tempo para realizar suas alterações. Deixando o time aberto, promoveu as entradas de Lucas Vázquez e Mariano Díaz aos 15 minutos. Depois, botou Dani Ceballos no lugar de Modric. De qualquer forma, custava aos merengues acreditarem numa reação praticamente impossível, por mais que o novo camisa 7 tenha aparecido. O Sevilla fazia um bom trabalho na defesa, bem recuado, e tentava dar suas escapadas nos contra-ataques, mas não conseguiu ampliar. Aos 31, os visitantes ainda tiveram que jogar com um a menos, quando Marcelo sentiu lesão e não pôde ser substituído. Em uma rodada que poderiam tomar a liderança isolada, acabaram amargando uma derrota emblemática.

Definitivamente, o Ramón Sánchez-Pizjuán causa pesadelos ao Real Madrid. O clube venceu apenas um de seus últimos sete compromissos na casa do Sevilla pelo Espanhol, com seis derrotas nesta sequência. De qualquer forma, este é o pior revés que os merengues sofrem por lá desde 2003, quando o time de Joaquín Caparrós festejou os 4 a 1 sobre os Galácticos. A intensidade dos rojiblancos teve papel decisivo nesta quarta-feira, em que as fragilidades defensivas do time de Julen Lopetegui mais uma vez estiveram expostas.

O maior vencedor da rodada no Campeonato Espanhol? O Atlético de Madrid. Depois de conquistar a vitória sobre o Huesca na terça, os colchoneros certamente celebraram os tropeços de ambos os concorrentes. Real Madrid e Barcelona seguem emparelhados na liderança, com 13 pontos, só dois a mais que os colchoneros. No próximo domingo, acontece o Dérbi de Madri no Santiago Bernabéu, já importante aos rumos das equipes. Enquanto isso, depois de um início oscilante, o Sevilla assume a sexta posição, com 10 pontos. Destaque principalmente à produtividade ofensiva, que dá aos andaluzes o segundo melhor ataque da competição. Os merengues bem sabem o que isso significa.


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