O Stade de France viveu cenas de medo e incerteza nesta sexta, quando se tornou alvo de um dos ataques terroristas na série de atentados que tomaram Paris. Segundo as informações oficiais deste sábado, quatro pessoas morreram em três explosões nos arredores do estádio, sendo três homens-bomba. E, segundo a agência alemã ARD, a intenção dos terroristas era justamente entrar nas arquibancadas, causando o desastre em um dos acessos às tribunas. Em comunicado oficial, o grupo extremista Estado Islâmico assumiu a autoria dos ataques. Segundo os números oficiais até o momento, são 129 mortos e 352 feridos em explosões e tiroteios que se espalharam por Paris.

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As primeiras imagens dos atentados em Paris chegaram em minutos pelas redes sociais

“Então, oito irmãos equipados com cintos explosivos e rifles atacaram precisamente alvos escolhidos no coração da capital francesa. O Stade de France durante o jogo entre dois países da Cruzada, a França e a Alemanha, assistido pelo imbecil do François Hollande”, escreveu o Estado Islâmico, em nota oficial, justificando o alvo.

As explosões, no entanto, não paralisaram o amistoso entre França e Alemanha, vencido pelos Bleus por 2 a 0. A segurança do estádio foi reforçada ainda durante a partida e, para que não se criasse tumultos ainda maiores, a bola continuou rolando – embora o presidente François Hollande tenha deixado as tribunas ainda no primeiro tempo. Ao apito final, torcedores receberam a recomendação de permanecer no Stade de France, até que o perímetro fosse totalmente controlado. Centenas deles, por proteção, chegaram a ficar no gramado por alguns minutos. Na saída do local, os presentes davam mostras de união ao cantarem o hino francês nos corredores de acesso ao exterior do Stade de France. Além disso, uma campanha foi lançada nas redes sociais para a acolhida dos torcedores alemães que ficariam desabrigados após o confronto.

E mesmo os jogadores atravessaram uma noite de incertezas nos túneis e vestiários do estádio. A transmissão oficial captou o momento em que os franceses receberam a notícia dos atentados, ainda na saída de campo. Tiveram que esperar até que a saída do local fosse garantida pela polícia. Horas depois, o atacante Antoine Griezmann, titular na partida, afirmou que sua irmã escapou com vida do tiroteio que vitimou dezenas de pessoas na casa de shows Bataclan, durante uma apresentação de rock.

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Já a seleção alemã atravessou o início da madrugada no Stade de France. Ainda na sexta, quando o time fazia sua última atividade antes do jogo, o hotel onde estavam hospedados precisou ser evacuado por conta de uma ameaça de bomba. Não impediu que o Nationalelf seguisse ao estádio. Ao fim do amistoso, porém, os jogadores permaneceram por horas nos vestiários. Deixaram o estádio em um comboio de micro-ônibus no meio da madrugada, escoltados por policiais – enquanto o ônibus oficial ficou na garagem do complexo esportivo, por ser mais visado. O avião com a delegação decolou rumo a Frankfurt já na manhã e partiu de um local afastado do terminal, por garantia de segurança.

Ainda no estádio, o técnico Joachim Löw comentou o impacto das notícias sobre o seu elenco: “Estamos todos abalados e chocados. Para mim, o esporte, o jogo e o gol ficaram totalmente em segundo plano. Além disso, não há mais nada para se dizer. Obviamente, eu me lembrei da ameaça de bomba quando ouvi a explosão. Todos no banco de reservas pensamos, porque já tínhamos mudado o local de almoço por causa do terror. Quando escutei, poderia imaginar mais ou menos o que iria acontecer”.

Por conta dos ataques, tanto a seleção francesa quanto a seleção alemã cancelaram a sua sequência de compromissos no final de semana. “As pessoas não podem pensar em futebol depois do que se passou nesta noite. Os jogadores vão passar algumas horas de descanso”, afirmou o diretor esportivo do Nationalelf, Oliver Bierhoff. A Alemanha ainda não confirmou a realização do jogo contra a Holanda marcado para a terça, em Hannover. Já a França ratificou que visitará a Inglaterra, no amistoso que acontecerá no mesmo dia em Wembley.