A Emirates Airlines não renovará seu patrocínio com a Fifa para as duas próximas Copas do Mundo. Depois da parceria nas últimas três edições, a companhia aérea optou por encerrar o vínculo com a entidade, e, segundo informa o jornal alemão Der Spiegel, a Sony deverá fazer o mesmo. Qatar Airways e Samsung já aparecem como potenciais substitutas, mas a perda de dois de seus principais patrocinadores não pega bem institucionalmente para o órgão que controla o futebol mundial. Sobretudo pelo momento de investigações e pedidos de transparência pelo qual passa.

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Em junho deste ano, a BBC e o jornal Sunday Times tiveram acesso a e-mails trocados entre dirigentes da Fifa e revelaram que Mohammed bin Hammam teria feito depósitos nas contas de 30 presidentes de federações da África para pressionar os africanos do comitê executivo da entidade a votar pela escolha do Catar como sede do Mundial de 2022. Na época das denúncias, Michael Garcia, que já investigava o processo, intensificou seu trabalho. No começo de setembro, entregou à entidade um relatório de mais de 400 páginas com tudo o que investigou. A Fifa recusou-se a tornar público o documento, apesar dos pedidos do próprio investigador e das declarações de cinco de seus seis principais parceiros comerciais – Coca-Cola, Sony, Adidas, Visa e Hyundai/Kia -, que publicamente expressaram sua preocupação com as acusações.

De acordo com o Der Spiegel, boa parte do que motivou a Emirates a não renovar seu contrato com a Fifa foi mesmo a turbulência que cerca a escolha do Catar como sede em 2022. A publicação aponta também para a iminência de a Sony seguir o caminho da companhia aérea, embora os japoneses ainda estejam negociando com a entidade máxima do futebol.

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No fim de setembro, Jérôme Champagne, que concorrerá à presidência da Fifa, e Michel Platini, opositor de Joseph Blatter e presidente da Uefa, pediram para que o relatório de Michael Garcia fosse divulgado. O próprio investigador, no começo de outubro, ressaltou a importância da publicação do documento, após dizer que seu trabalho, escondido da maneira que foi, o fazia se sentir um espião de alguma agência de inteligência: “A transparência não pretende constranger certos indivíduos, divulgando a sujeira, ou fazer mal à organização, mostrando o que deu errado. É o contrário. A transparência fornece evidências ao público sobre onde a instituição deu passos significativos à frente e progrediu”.

Apesar da informação do Der Spiegel, não podemos afirmar com certeza absoluta que o início de debandada dos patrocinadores esteja de fato ligado às denúncias mais recentes de corrupção na entidade. No entanto, não dá para fingir que não há pelo menos uma coincidência de que isso esteja acontecendo justamente neste momento em que todos os olhos estão sobre a Fifa e em que a demanda por maior transparência atingiu seu ápice. Ainda que o interesse de outras empresas em ocupar o espaço deixado pela Emirates tenha sido imediato, o episódio deixa pelo menos um pouco mais manchada a imagem da entidade.