A final da Copa Libertadores se estenderá ao longo das próximas semanas não apenas por aquilo que se espera em campo. Os tumultos em Buenos Aires provocam uma série de consequências, inclusive nos tribunais. E a diretoria do Boca Juniors tenta definir a conquista com base no regulamento da Conmebol, diante das punições disciplinares que o River Plate pode receber. Segundo o jornal La Nación, os xeneizes estudam uma vitória fora de campo, como aquela que deu a classificação aos millonarios no superclássico em 2015. Enquanto isso, o presidente da Conmebol costura acordos para que isso não aconteça e irá se reunir com os mandatários de ambos os clubes nesta terça-feira, na sede da confederação continental.

Alejandro Domínguez promete que o campeão será conhecido no gramado. Já a principal responsabilidade neste momento é da Unidade Disciplinar da Conmebol. O organismo, presidido por Mariano Zavala, é quem deve tomar a decisão sobre a punição que o River Plate receberá pelos incidentes. Conforme apuração de Martín Fernández no Globo Esporte, os millonarios devem apenas pagar uma multa, mas não receberão penas desportivas que atrapalhem a realização do jogo de volta. Assim, Domínguez poderá fazer a sua costura política com os presidentes de Boca e River. Resolverão quando, como e onde a finalíssima se dará.

Vale lembrar que a Unidade Disciplinar da Conmebol foi responsável por decisões bastante discutíveis ao longo da competição, algumas delas beneficiando o próprio River Plate. Além do caso de doping ocorrido na última edição da Libertadores, desta vez os millonarios estiveram envolvidos na escalação irregular de Bruno Zuculini e na participação indevida de Marcelo Gallardo no duelo contra o Grêmio. Em ambas, as medidas tomadas pela entidade continental não trouxeram grandes consequências ao clube.

O Boca Juniors pede uma sanção pela agressão que os seus membros sofreram durante o trajeto do ônibus até o Monumental de Núñez. Há uma analogia com o episódio do gás de pimenta na Bombonera em 2015. Segundo os xeneizes, a responsabilidade seria do River na segurança da delegação. O Clarín noticia que os advogados do Boca Juniors elaboram um “espelho” ao que ocorreu naquela ocasião, para que a mesma sanção que o tirou da competição também pese contra os seus rivais. Conforme o jornal, todavia, os representantes xeneizes sabem que a pressão atual é bem diferente daquela de três anos atrás, dada a importância do jogo. Um sinal disso foi a insistência da Conmebol em remarcar o pontapé inicial no sábado. A influência do River nos corredores da Conmebol também deixa os boquenses receosos.

O ponto principal para refutar o Boca Juniors é que a agressão teria ocorrido fora do anel de segurança delimitado pela Conmebol na véspera da final, durante reunião técnica. Ele estaria firmado em um acordo de cavalheiros, estabelecido entre os presidentes do Boca e do River, junto à confederação. Caso a Unidade Disciplinar negue o protesto xeneize, há a possibilidade de acionar o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). Porém, o expediente da corte não ofereceria tempo hábil para que se disputasse o Mundial de Clubes.

Ao La Nación, um especialista em direito esportivo aponta que o incidente com o ônibus do Boca Juniors é responsabilidade maior da polícia, não do River Plate. Ainda assim, o clube deve ser sancionado, em castigo disciplinar que pode atingir o Monumental – uma “solução” para se buscar outro local para o jogo. E, nos Estados Unidos, o jornalista Grant Wahl relata que já surgem intenções de se levar o confronto para a região de Miami. Atenderia as pretensões da entidade continental em relação à final única bem antes do esperado.

De qualquer maneira, o presidente do River Plate garante que o segundo jogo será em Núñez. Caso isso aconteça, há uma responsabilidade grande que recai sobre a secretaria de segurança da prefeitura de Buenos Aires, pressionada diante das claras falhas de planejamento ocorridas no sábado. Não à toa, o responsável pelo órgão público deixou o cargo nesta segunda-feira. Por conta das ocorrências, Martín Ocampo apresentou sua renúncia, mesmo defendido pela Ministra de Segurança da Argentina, ao afirmar que o procedimento não teve erros.

Ao Olé, o advogado argentino Iván Palazzo analisou as possibilidades jurídicas. Como os torcedores do River Plate estão identificados durante a agressão, isso pode ser tipificado conforme o regulamento da Conmebol. As alternativas entre as sanções são várias, desde advertências à exclusão de futuras competições. Desta forma, há a abertura para que o Boca Juniors se torne campeão nos tribunais. Por outro lado, o pacto firmado pelos presidentes antes do jogo seria o principal artifício para os millonarios rebaterem as alegações xeneizes.