A Football League cuida da segunda à quarta divisão da Inglaterra – foi responsável pela primeira divisão durante mais de um século até a criação da Premier League – e é nela que está o futebol mais organizado do território abaixo da elite. À medida em que um clube se afasta dela, encontra cada vez menos dinheiro, estrutura e profissionalismo. O Leyton Orient, pela primeira vez em 112 anos, deixou-a para trás, graças ao rebaixamento da League Two, confirmado no último final de semana, com a derrota por 3 a 0 para o Crewe Alexandra.

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O clube do leste de Londres chegou à Football League em 1905 e, durante a maior parte desse tempo, passeou entre a segunda e a terceira divisão. Seu melhor momento foi no começo da década de sessenta quando subiu à elite junto com o Liverpool, em 1961/62. Enquanto os Reds deram sequência ao projeto de reconstrução tocado por Bill Shankly, o Orient foi rebaixado, como lanterna, na temporada seguinte, e nunca mais retornou. Seu único título relevante foi a Terceirona de 1969/70. Teve duas campanhas de destaque na Copa da Inglaterra na década de setenta, com as quartas de final em 1972 e as semifinais, seis anos depois. Eliminou o Chelsea nas duas, com direito a uma vitória em Stamford Bridge. E nas duas foi derrotado pelo Arsenal.

Em tempos recentes, o Leyton Orient gastou nove anos de vida na terceira divisão e quase conseguiu o acesso à Championship, em 2013/14. Fez a terceira melhor campanha, bateu o Peterborough nas semifinais e foi derrotado apenas nos pênaltis pelo Rotherham United, na decisão dos playoffs. O potencial do clube foi identificado pelo empresário italiano Francesco Becchetti, que se tornou o novo proprietário, em julho de 2014, semanas depois da visita ao Wembley. E aí, tudo começou a dar errado.

O Leyton Orient foi rebaixado da Football League pela primeira vez em 112 anos
O Leyton Orient foi rebaixado da Football League pela primeira vez em 112 anos

O Orient caiu para a quarta divisão logo na sequência, como vice-lanterna, e depois de um razoável oitavo lugar, entrou em um caos administrativo e financeiro nos últimos meses que decretou a queda para a National League. O clube passou por cinco treinadores diferentes nesta temporada e teve que apostar demais em jovens jogadores, ao ponto de começar o fatídico jogo contra o Crewe Alexandra com sete no time titular. Outra causa relevante para uma campanha ruim por excelência – último lugar, com dez vitórias, seis empates e 28 derrotas, pior ataque e pior defesa – é o atraso de salários. Jogadores e funcionários não receberam os vencimentos de março. “É decepcionante quando você não está sendo pago. As pessoas lidam com isso de maneiras diferentes. Deixa todo mundo nervoso. As pessoas não conseguem se concentrar nos seus trabalhos adequadamente”, disse o técnico Omer Riza, à BBC.

Os funcionários emitiram um comunicado apelando pela intervenção da Football League e da Federação Inglesa porque alguns deles já estão tendo que se realocar por causa de hipotecas e aluguéis não pagos. Reclamaram de falta de comunicação com a hierarquia do Orient: “Encontramos uma parede de silêncio. Estamos no 24º dia do mês e ainda não recebemos os salários de março, e abril vence em apenas quatro dias (quinta-feira)”. A FA disse que essa situação é “muito preocupante” – que grande alívio para os funcionários! -, e a Football League prometeu fazer o que for possível para garantir o futuro do clube.

Becchetti, o responsável por toda essa bagunça, tem até 12 de junho para pagar as suas dívidas ou vender o clube. De acordo com o Guardian, ele prometeu investir £ 1 milhão para que o Leyton Orient continue existindo. A Sky Sports publica, nesta terça-feira, que os salários de março foram pagos, o que ainda não foi confirmado oficialmente. De qualquer maneira, nessa toada, o Orient vai demorar mais ou menos 112 anos para retornar à Football League.