Em meio à tensão diplomática, Tarasov se arriscou e exibiu a camisa de Putin dentro da Turquia

Meia mostrou camisa com mensagem de apoio ao presidente russo, apesar da crise que se desdobra com o governo turco

Fenerbahçe e Lokomotiv Moscou fizeram partida sob fortes tensões nesta terça, pela Liga Europa. Nada entre as duas equipes, especificamente, mas entre os dois países: Turquia e Rússia vivem em crise desde novembro, quando um caça turco derrubou um bombardeiro russo em região próxima à fronteira com a Síria. Histórico aliado do antigo regime sírio, o governo de Vladimir Putin tem lançado ataques contra o Estado Islâmico. Enquanto isso, o governo de Recep Erdogan é acusado de apoiar secretamente o EI, por conta de interesses contra o movimento de independência do Curdistão, ainda que a Turquia sofra ataques do movimento extremista islâmico. Um quebra-cabeça diplomático intrincado, que terminou em polêmica após a vitória do Fener por 2 a 0.

Na saída de campo, o meio-campista Dmitri Tarasov exibiu uma camisa com o rosto de Putin e a mensagem “o mais polido presidente”. Uma alusão clara às tensões políticas que se vivem na região. “É o meu presidente. Eu o respeito e decidi mostrar que estou sempre ao seu lado, preparado para dar o meu apoio. O que estava escrito na camisa era tudo o que eu gostaria de dizer”, declarou Tarasov, após a partida.

Nesta quarta, a Uefa indiciou Tarasov e o Lokomotiv Moscou por “conduta imprópria”. As regras da entidade proíbem manifestações políticas em suas partidas, assim como mensagens em camisas. O julgamento do meio-campista acontecerá em 17 de março. O incidente pode ser punido com multa e suspensão.

Tarasov teve sua dose de risco ao exibir a camisa, diante do histórico de violência dos ultras turcos. Ainda assim, apesar de provocativa, a mensagem não possuía necessariamente teor ofensivo. De certa maneira, acaba sofrendo censura da Uefa, contrária a todo e qualquer posicionamento político dentro de campo. No subjetivismo entre aquilo que pode ou não ser ofensivo, a entidade prefere fechar as portas para que os seus atores discutam a sociedade dentro de campo. Futebol, no entanto, também é rebeldia. Na possibilidade de poder se manifestar sem um controle prévio da Uefa, Tarasov optou por transmitir sua opinião, mesmo que talvez pague pelas consequências. Optou pela liberdade de expressão, por mais polêmica possa ser.