Em julho de 2000, era concretizada aquela que talvez seja, até hoje, a transferência mais controversa da história do futebol. Craque do Barcelona, Luís Figo acertou sua ida para o Real Madrid, onde Florentino Pérez acabara de se tornar presidente e dava início à sua era de galácticos. Em transmissão ao vivo com Cannavaro, o português explicou sua decisão à época, afirmando que não se sentia reconhecido no Barça.

Mesmo 20 anos depois, a torcida do Barcelona não suporta ouvir o nome de Figo, e o português admite que aquela foi uma decisão difícil de ser tomada. Ainda assim, soa grato pela vida que levou na Catalunha, mas sentia que poderia ter sido mais reconhecido. No clube catalão, passou cinco anos, conquistando duas La Ligas, duas Copas do Rei e uma Recopa Europeia.

“Foi uma decisão importante e difícil, porque saí de uma cidade que me dava muito e onde eu estava bem. Porém, quando você não sente que é reconhecido pelo que está fazendo, se tem uma proposta de outro clube, você pensa nela”, contou o português a Cannavaro.

Sem entrar em grandes detalhes, Figo conta que seu início em Madri foi difícil por causa da transição política pela qual passava o clube. Florentino Pérez, hoje há mais de dez anos em sua segunda passagem como presidente, acabara de assumir o comando do clube pela primeira vez, sucedendo Lorenzo Sanz.

“Os grandes clubes do mundo são parecidos, a diferença principal são as pessoas que formam a associação, porque cheguei em Madri com uma mudança importante na presidência, e, no início, não foi fácil. Tudo era novo para mim, mas a integração foi boa, e, com a ajuda de todo mundo, me adaptei muito bem”, relembra.

Ele próprio um dos grandes de sua geração, Figo teve o prazer de dividir vestiários com nomes históricos do futebol mundial, mas um em particular se sobressai para o português: “Na minha carreira, joguei com grandes jogadores. Seria mais fácil eleger um por posição do que ficar só com um. Joguei com Ronaldo, Zidane, Rivaldo, Stoichkov, Guardiola, Hierro, Verón e com aquele que estava sempre pronto para marcar gols, Raúl”.

Raúl e Figo foram companheiros no Real entre 2000 e 2005

“Raúl era um vencedor, é por sua mentalidade que conquistou tanto na carreira. Sabia sempre como definir as jogadas e como se movimentar em campo. Se você fala do Ronaldo, suas características são a velocidade e a potência. Mas, com Raúl, é difícil decidir em que era melhor, mas tinha um pouco de tudo. Sempre fazia gols e a diferença”, completou.

Atualmente embaixador da Eurocopa 2020, que agora será realizada em 2021, não abandona suas pretensões de ser dirigente de alto escalão. Em 2015, chegou a anunciar candidatura à presidência da Fifa, retirando-a alguns meses mais tarde. Hoje, não descarta se candidatar ao mesmo cargo, mas na Uefa.

“No momento, estou bem com o trabalho que estou fazendo, estou aprendendo muito, e no futuro veremos.”