Era um jogo decisivo. Palmeiras contra Cruzeiro, Mineirão com 44 mil pessoas, valendo vaga nas semifinais da Copa do Brasil. E não parecia muito. Houve intensidade, houve vontade, mas faltou bola. Duas equipes cautelosas, querendo correr poucos riscos, até mesmo a de Cuca, que precisava da vitória. No fim, a Raposa foi cirúrgica para reagir na hora correta, arrancar o empate por 1 a 1 e a vaga entre os quatro melhores do torneio.

LEIA MAIS: Os duelos memoráveis do passado entre os quadrifinalistas da Copa do Brasil

Com todo o pragmatismo que emana de Mano Menezes, podendo empatar por até 2 a 2 para passar, o Cruzeiro não fez questão de ter a bola, embora, no fim, a posse tenha sido dividida em 50% para cada lado. Mas quem levava a iniciativa era o Palmeiras, sem muita pressa, sem muita afobação, e com dificuldades para furar o sistema defensivo adversário. A partida travada não deixava Cuca insatisfeito: com ações equilibradas, buscava uma bola.

Não tenho absoluta certeza se de fato havia sequer uma bola em campo no primeiro tempo. Ela talvez tenha se rebelado e entrado em greve por maus tratos. Com exceção de dois chutes de fora da área de Thiago Neves, não houve muita coisa para relatar. O melhor lance foi um lindo domínio de Cuca, na linha lateral, que valeu aplausos de Mano Menezes.

O segundo tempo voltou bem parecido. O Cruzeiro ameaçou com Léo, de cabeça, mas o Palmeiras foi pouco a pouco ficando perigoso. Uma rara jogada bem trabalhada teve Dudu abrindo com Róger Guedes na ponta direita. O passe, de primeira, encontrou Borja, que bateu bloqueado. Raphael Veiga arriscou de fora da área. E, aos 25 minutos, Keno pegou rebote de um soco de Fábio, contou com um desvio e abriu o placar para os alviverdes.

Só que faltavam 20 minutos para o fim do jogo, e o Palmeiras não conseguiu se defender esse tempo inteiro. Poderia ter matado a eliminatória com Egídio, um minuto antes, mas o lateral esquerdo palmeirense preferiu chutar a passar. Logo na sequência, Diogo Barbosa se livrou da marcação individual, entrou na área e completou cruzamento de Alisson no cantinho de Jaílson.

Ao contrário do jogo de ida no Allianz Parque, quando o Palmeiras pressionou muito no segundo tempo para sair de um déficit de três gols e chegar ao empate, não houve sequer o cheiro de uma reação no Mineirão, e quem ficou mais próximo do segundo foi o Cruzeiro, em arrancada de Arrascaeta pela esquerda, muito bem defendida por Jaílson.

Como a maioria da tabela, o Cruzeiro tem poucas chances de fazer graça no Campeonato Brasileiro – está a 18 pontos do líder – e depositará todas as suas fichas na Copa do Brasil, depois de eliminar o segundo time paulista nesta edição. A situação do Palmeiras é mais complicada. O investimento foi feito para, no mínimo, brigar por todos os títulos da temporada e, depois de uma eliminação precoce no Campeonato Paulista e de permitir que o Corinthians abrisse 14 pontos no Brasileirão, mais uma oportunidade saiu pela janela. Resta a Libertadores e, salvo algo extraordinário na liga nacional, apenas a Libertadores.