São Paulo e Flamengo fizeram um jogo com peso de decisão no Morumbi. Ambos os clubes necessitavam da vitória para manter a distância em relação ao Palmeiras e alimentar suas esperanças de título no Brasileirão. O empate por 2 a 2, a bem da verdade, acabou se tornando melhor aos próprios alviverdes. Foi uma tarde em que erros pontuais terminam lamentados por ambos os lados, em diferentes momentos – mais pelos rubro-negros, melhores ao longo do confronto. Mas se o duelo rende um acerto, este é a Helinho, o bem-vindo estreante tricolor. O garoto de 18 anos saiu do banco para a sua primeira partida como profissional e, com míseros cinco minutos, anotou um golaço para os anfitriões.

O início do jogo apresentou o nível de tensão que se veria ao longo da tarde no Morumbi. O Flamengo começou pressionando, mas logo o São Paulo abriu o placar, aos sete minutos. Contragolpe que contou com grande trabalho de Carneiro, preparando a jogada concluída por Diego Souza dentro da área. Só que nem houve muito tempo para os são-paulinos comemorarem. Logo no minuto seguinte, o Fla respondeu e empatou. Cruzamento de Renê para Uribe cabecear ao chão e marcar, superando Sidão – que poderia ter feito bem melhor no lance.

Os planos de jogo seguiam intactos. O Flamengo tinha um pouco mais de posse de bola e pressionava no campo de ataque. O São Paulo se fechava, tentando jogar no erro dos adversários e apostando em bolas longas para as disputas corpo a corpo de seus homens de frente. A partida ficaria travada no meio-campo e, nos momentos de maior perigo, Sidão seria o personagem. Primeiro, por uma saída de gol tresloucada que quase o complicou. Depois, por uma defesaça pouco antes do intervalo, evitando a virada de Renê. Na sobra, Uribe ainda falhou feio, ao errar o gol escancarado.

Para o segundo tempo, Diego Aguirre voltou com uma aposta. Tirou o zagueiro Anderson Martins para a entrada de Helinho, que nunca havia disputado uma partida como profissional. O garoto ficara no banco algumas vezes, mas o batismo de fogo aconteceu em um Morumbi pulsante. E ele mostrou como estava pronto. Em uma das primeiras ações, logo aos cinco minutos, recebeu pelo lado direito do ataque. Encarou a marcação, limpou dois adversários e bateu de chapa com a canhota. A bola só foi morrer no ângulo de César. Golaço. Prêmio a uma das promessas mais referendados de Cotia, que já integra as seleções de base. Curiosamente, ele substituíra Vinícius Júnior no Mundial Sub-17 de 2017, quando o ex-flamenguista não foi liberado pelo clube. Não era uma aposta qualquer.

Após o gol, o Flamengo ficou mais ofensivo, com as entradas de Diego e Geuvânio. E depois que César defendeu bomba de Luan, as melhores chances se concentrariam do outro lado, principalmente nos 20 minutos finais. Uribe mandou uma bicicleta perigosa para fora e Sidão espalmou venenoso chute de Paquetá. O empate veio aos 36, a partir de uma excelente jogada de Vitinho. O ponta deu uma caneta na marcação e cruzou. Sidão não afastou totalmente e Rodinei apareceu do outro lado da área para encher o pé. O momento era todo dos rubro-negros, que tentavam sufocar os tricolores. Contudo, o pecado final afetaria justamente Vitinho, o melhor da equipe carioca. Aos 45, o atacante recebeu de Geuvânio e conseguiu fazer o mais difícil, ao mandar por cima do gol, já na pequena área. Nos acréscimos, Sidão pararia uma cabeçada de Uribe, mas nada suficiente para dar o resultado necessário ao Fla.

A situação de ambos os times na tabela contraindica as expectativas pela taça, a seis rodadas do fim. O Flamengo fica a seis pontos do Palmeiras e possui uma sequência de jogos mais difícil que os alviverdes. Já o São Paulo está a nove pontos de distância dos líderes e, neste momento, com dois de vantagem sobre o Grêmio, o objetivo será mesmo assegurar um lugar no G-4. Os sonhos se esfarelam. Menos a Helinho, o único que pode transformar um jogo que representa praticamente um fim da linha em brilhante começo.


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