A ocasião era das melhores que o Campeonato Brasileiro pode proporcionar. Estádio lotado, grandes jogadores em campo, o quarto colocado contra o primeiro. E o empate por 1 a 1 entre Corinthians e Flamengo fez justiça a tudo isso. Os cariocas saíram atrás, mas conseguiram encurralar a equipe de Fábio Carille, situação rara, empataram e quase viraram. O líder precisou suar para se manter invicto no Brasileirão. Pena que a arbitragem anulou grotescamente um gol legal dos paulistas, erro que certamente desviará a atenção da boa partida em Itaquera.

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Defender-se não é novidade para o Corinthians, nem sinônimo de apuros. É a característica da equipe, e impressiona assistir a este sistema defensivo funcionando em plena harmonia, como aconteceu no primeiro tempo. As duas linhas de quatro parecem um único organismo, perfeitamente coordenadas, fruto de muito treinamento e de um trabalho brilhante de Carille. Um lance chamou a atenção: o Flamengo tocou a bola de pé em pé, da direita até a esquerda, sem afobação, passando pelos seus jogadores mais criativos, Diego e Éverton Ribeiro, e simplesmente não encontrou nenhum buraco, nenhuma oportunidade. Por fim, forçou o lançamento e teve que começar tudo de novo.

O que o Flamengo conseguiu de diferente foi, no segundo tempo, ameaçar constantemente o Corinthians. Criar chances claras de gol contra o Corinthians. Isso, sim, tem sido bastante raro. Além do gol, houve pelo menos outras três excelentes oportunidades, com Diego, com Juan e com Pedo Henrique quase fazendo um gol contra daqueles. Ao mesmo tempo, sofreu poucos riscos na defesa, e na única investida mais aguda do Corinthians na etapa final, Diego Alves fez uma linda defesa em chute cruzado de Jô, bem parecido com o que resultou no tento que abriu o placar.

Fosse uma luta de boxe, o Corinthians venceria o primeiro round por pontos, e o Flamengo, o segundo. Não houve possibilidade de ultrapassar a linha defensiva dos donos da casa nos primeiros 45 minutos. Os ataques foram letais. Rodriguinho lançou Maycon, pelo menos meio metro em posição legal, e este cruzou para Jô, pelo menos um metro atrás da linha da bola. Jô botou a bola na rede, mas o assistente Pablo Costa levantou o seu instrumento de trabalho, por motivos ainda profundamente desconhecidos.

 

Mas o Corinthians não se deixou abalar, ao contrário do Flamengo que, até então, fazia uma partida razoavelmente equilibrada. Balbuena interceptou um passe no campo de defesa, avançou e tocou para Jô. Pará correu para dividir, mas evitou o contato e permitiu que o centroavante corintiano entrasse na área e batesse cruzado. Diego Alves caiu um pouco tarde demais e levou seu primeiro gol com a camisa do Flamengo. Falha? Acredito que não: um goleiro de tanta qualidade geralmente defenderia esta bola. Às vezes, não defende. Acontece.

 

Depois do intervalo, a dinâmica do primeiro tempo acentuou-se, e o Flamengo passou a ter menos paciência. A aposta foi a bola aérea, como tem sido em várias oportunidades neste Campeonato Brasileiro, apesar de ter tantos jogadores de qualidade na armação. De qualquer maneira, neste domingo, funcionou: desta maneira, os visitantes criaram suas melhores oportunidades. Bem no começo da segunda etapa, Guerrero apareceu livre dentro da área e não conseguiu finalizar. Em escanteio, Juan cabeceou para o chão e exigiu uma linda defesa de Cássio. Em outro escanteio, Juan escorou para Réver, que virou de voleio para empatar.

 

Logo na sequência, a grande oportunidade da virada, em uma jogada, desta vez, bem trabalhada com a bola no chão. Berrío tabelou pela direita e tocou para Arão, que deixou para Diego, livre, na frente de Cássio. Mas o meia chutou por cima. Antes do fim, Pedro Henrique quase se complicou ao cortar um cruzamento rasteiro de Berrío e acertar o travessão de Cássio. Pouco depois, Jô quase fez o seu segundo, em outro chute cruzado, mas Diego Alves fez uma linda defesa.

O Corinthians tem motivos para reclamar da arbitragem. Foi um erro crasso e inaceitável. Mas nada garante que este gol mudaria a dinâmica do jogo ou que Jô marcaria novamente na sequência. Dentro do contexto do jogo, depois deste grande equívoco do apitador, o líder fez um grande primeiro tempo e encarou um Flamengo que o fez suar no segundo para se manter invicto na competição, embora Carille acredite que o Timão sofreu mais contra o Cruzeiro. Os cariocas perderam a chance de diminuir a diferença para a primeira colocação. E o Corinthians, deixou de vencer o terceiro jogo em quatro rodadas.