Geralmente, o primeiro jogo da Seleção depois da Copa do Mundo gera algumas expectativas. Espera-se ver como será a nova cara do time no ciclo que se inicia, como entrarão os jogadores trazidos para participar do novo momento, como ocuparão a lacuna dos veteranos que não participarão mais. A reestreia de Tite à frente do Brasil, no entanto, pareceu o oposto desse sentimento. Nada mais que o complemento de um time que até empolgou durante longos meses, mas que se esmoreceu nos vícios e nos erros justamente durante o Mundial. Pior, há o desgaste daquela empatia de tempos atrás, entre a insistência com alguns nomes e a imunidade dada a Neymar. Dentre os amistosos pouco empolgantes da seleção brasileira, a vitória por 2 a 0 sobre os Estados Unidos esteve entre os mais insossos. Porque o mínimo de renovação que se espera mal deu as caras, com boa parte dos torcedores mais preocupados com os desfalques de seus clubes.

A escalação, afinal, teve poucas mudanças em relação ao time que disputou a Copa do Mundo. Fabinho foi o único que não esteve na Rússia, ocupando o problema crônico na lateral direita, onde não joga faz tempo. Escanteados no Mundial, Marquinhos e Roberto Firmino ganharam vez. Assim como Fred e Douglas Costa, dois caras que poderiam ter entrado mais, não fossem as lesões. De resto, mais do mesmo, agora com Neymar como capitão. Já os Estados Unidos vivem um momento de transição, com uma equipe bastante jovem e sem o seu principal expoente, o ausente Christian Pulisic.

O Brasil até demonstrou uma movimentação interessante durante os primeiros minutos, com as arrancadas de Douglas Costa e o apoio de Fabinho sendo bastante perigosos no lado direito. Assim, o primeiro gol não demorou a sair. A primeira jogada de Douglas quase tinha rendido um gol de Neymar, que a zaga americana salvou. Já aos dez minutos, o cruzamento na medida do ponta ficou fácil para Firmino emendar às redes. Diante da fragilidade do adversário, a Seleção mal precisava se esforçar para criar chances. Mas acabou se acomodando com o passar do tempo. Dependia de um drible ou uma jogada individual para criar espaços, não necessariamente das boas tramas coletivas. Tanto é que os Estados Unidos criaram suas oportunidades para empatar por volta dos 30 minutos. Só então o Brasil acordou. Fabinho forçou uma boa defesa do goleiro Zack Steffen e sofreria pênalti discutível aos 41. Neymar converteu para ampliar.

Se o primeiro tempo foi sonolento, a segunda etapa até começou com algumas chances de gol, sobretudo em jogada de Douglas Costa que Neymar não aproveitou. De qualquer maneira, o Brasil não tinha o ímpeto que se pedia contra um adversário tão fraco. Além do mais, Tite demorou a fazer as alterações e a dar espaço a quem realmente precisa. Somente a partir dos 15 minutos é que as mudanças aconteceram. Arthur entrou bem, controlando o meio-campo, bem mais participativo que Fred. Paquetá e Éverton foram outros que fizeram valer os parcos minutos que ganharam, se apresentando mais. Mas era uma Seleção pouco faminta, como se estivesse acomodada às ideias que se mantém, entre brilharecos. Tanto é que as chances mais claras na sequência da etapa final foram dos EUA, com Alisson fazendo uma boa defesa e os americanos desperdiçando outro bom lance. A vitória pode até valer para enganar, mas não convence.

Douglas Costa e Fabinho são os que mais aproveitam a ocasião. Deram velocidade a uma Seleção lenta e por vezes desnecessária em suas ações. No entanto, ainda mais desnecessária é a insistência em preservar jogadores que são certeza no ciclo, mas bem que poderiam ganhar um descanso. Esse seria o jogo para tantos que pedem passagem e até puderam treinar, embora só tenham desfilado em campo – para não se dizer que foram à toa aos Estados Unidos, diante da boçalidade que é desfalcar os clubes num momento tão importante da temporada.

Já que os jogadores que deveriam estar em seus clubes foram convocados, os testes podem ser maiores, mesmo que não signifiquem tanto na Copa América de 2019. São os novos ares que o Brasil pede em todo novo ciclo e que acaba de janela fechada pelo mais do mesmo que permanece. Tite tem seus méritos para continuar à frente da equipe nacional, mas para que eles fiquem evidentes, também precisa abrir mão de alguns dogmas que são desnecessários nesse momento. O que vale é recuperar o ânimo, e uma goleada até poderia ajudar nesse sentido. Ficou a lembrança de uma atuação que pouco valeu os minutos gastos diante da TV em uma sexta-feira à noite, em pleno feriado.


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