Em duelos difíceis na Libertadores, Santos arranca valioso empate, enquanto Galo derrapa

Ambos os brasileiros tiveram compromissos complicados fora de casa, mas o empate do Santos contra o Independiente Santa Fe saiu bem mais em conta

Já estava bem claro que seria uma noite difícil para os brasileiros na Copa Libertadores. Tanto Santos quanto Atlético Mineiro jogavam fora de casa, e contra os dois adversários de seus respectivos grupos mais tarimbados nas competições continentais. Ofensivamente, ambos fizeram uma partida abaixo de seu potencial. Mas enquanto o Galo se complicou por uma falha de sua defesa, passiva demais em diversos momentos contra o Libertad, o Peixe conseguiu se segurar bem contra o Independiente Santa Fe, trazendo na bagagem um ponto – com um pouco mais de sorte, até poderiam ter sido três. O placar zerado satisfez o time de Dorival Júnior, sensação esta que não foi compartilhada pelos comandados de Roger Machado, com dificuldade para embalar na competição continental.

Em Bogotá, Santa Fe e Santos proporcionaram um péssimo primeiro tempo a quem estava assistindo. Os 45 minutos iniciais mal contaram com chances de gol. Mas, defensivamente, tudo seguia nos conformes para o Peixe. Os alvinegros demonstravam muita solidez em suas linhas de marcação e afastavam os Cardenales de sua área. Além disso, conseguiam esfriar o adversário trocando passes na defesa. O problema é que a estratégia de buscar os contra-ataques no momento certo não saía do papel. Os santistas não encaixavam as jogadas e finalizaram apenas uma vez em toda a primeira etapa, sem qualquer perigo.

Na volta do intervalo, o jogo melhorou. O Santa Fe encontrou algumas brechas para arriscar, mas do outro lado o Santos também passou a ameaçar em seus contragolpes, principalmente com Bruno Henrique. Dorival Júnior tentou dar mais velocidade ao ataque, com a entrada de Copete na vaga de Ricardo Oliveira, aos 24 minutos. Todavia, o Peixe não aproveitou sua melhor chance por um centímetros. Em jogada de Lucas Lima, Victor Ferraz carimbou a trave. E, pouco depois, os brasileiros tiveram que se concentrar um pouco mais na defesa, com a expulsão de Jean Mota. Os colombianos esboçaram uma pressão nos 10 minutos finais e tiveram duas boas oportunidades, em bolas salvas por grande defesa de Vanderlei e por Victor Ferraz na pequena área. De qualquer forma, a consistência dos alvinegros atrás prevaleceu.

O empate não foi o melhor dos mundos, mas manteve o Santos na liderança da chave. Os alvinegros somam cinco pontos, um a mais que Strongest e que o próprio Santa Fe. O equilíbrio do Grupo 2 não dá muita margem de erro por enquanto, mas a vantagem do Peixe é boa, considerando que terá mais duas partidas como mandante. Não dá para bobear, ainda que a invencibilidade até o momento seja bastante importante.

O Atlético Mineiro, por sua vez, teve uma noite para esquecer em Assunção. Parecia que nada daria certo ao Galo diante do Libertad. O campo de jogo, bastante enlameado, realmente não ajudou a velocidade dos visitantes. De qualquer forma, não dá para colocar a culpa apenas nas condições climáticas pela má atuação, de uma maneira geral.

Os paraguaios colocaram muita pressão sobre o Galo desde os primeiros minutos da etapa inicial. O time de Roger Machado se fechava na defesa, mas sem demonstrar firmeza, parecendo suscetível a qualquer jogada melhor trabalhada. Nestor Giménez chegou a marcar aos 14, mas o árbitro anulou por falta. Já aos 26, não houve o que salvasse os mineiros. O Libertad tramou com espaços até encontrar Ángel Lucena. O meio-campista chutou no contrapé de Giovanni, que poderia ter feito melhor.

Melhor a partir dos minutos finais do primeiro tempo, o Atlético voltou do intervalo com uma postura mais ofensiva. Rafael Moura saiu do banco e dava trabalho à marcação. O problema é que os cochilos defensivos seguiam colocando o Galo em perigo. Aos oito, um passe errado permitiu que o Libertad acertasse o travessão. Fred, pouco acionado, sentiu a coxa e precisou ser substituído. Mas as entradas de Maicosuel e Cazares pouco auxiliaram. O jogo ficou bastante pegado, com entradas duras e discussões entre os jogadores. Nada que ajudasse os atleticanos, com o tempo correndo. Os visitantes não conseguiam encadear suas jogadas de ataque, apostando em vão nas bolas longas. Acabaram mais próximos de tomarem o segundo gol dos paraguaios, em lances perigosos de Jesus Medina e Alan Benítez. A vitória simples bastou.

Sem exibir um futebol convincente neste início de Libertadores, o Atlético preocupa os seus torcedores. Não tem sido voraz no ataque como no último ano e a defesa, apesar de menos exposta, vem tomando alguns gols bobos. O grupo ainda está embolado, com três times somando quatro pontos, embora o Godoy Cruz possa se desgarrar ao completar a terceira rodada, recebendo o Sport Boys Warnes. De fato, o Galo já encarou os seus dois principais adversários fora de casa. Agora, precisa fazer valer mais do que nunca a pressão no Estádio Independência. Algo que, diante do Sport Boys, demorou a acontecer, não fosse o oportunismo de Fred no segundo tempo.