Bayern de Munique e Borussia Dortmund possuem uma rivalidade basicamente esportiva, sem tanto contexto político ou regional. Os confrontos ganharam peso sobretudo na década de 1990, quando os aurinegros começaram a bater de frente com os bávaros, inclusive na Champions League. Ainda assim, um ponto de partida importante ao “Klassiker” aconteceu no fim dos anos 1980, quando as duas potências se enfrentaram na Supercopa da Alemanha de 1989. Em uma final intensa realizada no estádio do Kaiserslautern, o Dortmund apresentou seu potencial para peitar o Bayern e buscou o triunfo por 4 a 3, definido aos 43 do segundo tempo.

A conquista da Copa da Alemanha em 1989 é significativa ao Dortmund. Aquele título encerrou um jejum do clube na elite do futebol alemão que perdurou durante 24 anos. Os aurinegros golearam o favorito Werder Bremen por 4 a 1 no Estádio Olímpico de Berlim e iniciariam a partir de então uma guinada consistente rumo ao topo. Logo de cara o Bayern se colocou no caminho. Após a Bundesliga ter ficado com o próprio Bremen em 1987/88, os bávaros retomaram sua hegemonia em 1988/89 com uma campanha dominante, em que sofreram apenas três derrotas e acumularam boa vantagem de cinco pontos na primeira colocação.

A Supercopa da Alemanha, assim, colocou frente a frente duas equipes de respeito. O Bayern de Munique era treinado por ninguém menos que Jupp Heynckes, em sua primeira passagem pelo clube, após deixar o Borussia Mönchengladbach. Dentro de campo, o time contava com bons nomes que comporiam a seleção alemã-ocidental na Copa do Mundo de 1990, concentrados do meio para trás: o goleiro Raimond Aumann; os zagueiros Klaus Augenthaler e Jürgen Kohler; o ala Stefan Reuter; e os meio-campistas Olaf Thon e Hans Pflüger. O ataque tinha a parceria do escocês Alan McInally e do iugoslavo Radmilo Mihajlovic. Além disso, Hansi Flick era um jovem de 24 anos, que vestia a camisa 7 no meio-campo.

O Dortmund era comandado por Horst Köppel, companheiro de Heynckes no ataque do Gladbach durante os anos 1970 e geralmente reserva do artilheiro. O técnico havia sido auxiliar de Franz Beckenbauer na seleção alemã-ocidental durante a Copa de 1986, antes de iniciar a ascensão no Westfalenstadion. E, com a ausência do atacante Frank Mill, teria apenas um futuro tricampeão do mundo com a Mannschaft em campo: o camisa 10 Andreas Möller, craque daquela geração aurinegra. O armador formava uma trinca no meio, ao lado do capitão Michael Zorc e do escocês Murdo MacLeod. Outros jogadores da seleção alemã eram os zagueiros Thomas Helmer e Michael Schulz, enquanto Michael Rummenigge (o irmão mais novo de Karl-Heinz) jogava como ala na época.

O Estádio Fritz-Walter, em Kaiserslautern, nem estava tão cheio. Apenas 16 mil torcedores viram o jogaço. E o Bayern parecia pronto à vitória durante os primeiros minutos. Durante a etapa inicial, Olaf Thon coordenou as ações ofensivas da equipe de Jupp Heynckes e deu duas assistências. Contando com uma bobeira da zaga, McInally abriu o placar aos 21. Günter Breitzke empatou aos 40, de cabeça, mas aos 42 sairia o segundo do Bayern. Mais um presente de Thon, agora para Roland Grahammer anotar.

A reação do Dortmund ficou guardada ao segundo tempo, explorando sempre o lado direito de seu ataque – reforçado pela entrada de Günter Kutowski. Um chute seco de Breitzke permitiu o novo empate. Já a virada saiu aos 19 minutos, em bom passe de Breitzke para Jürgen Wegmann concluir. Mas a alegria não durou tanto. O Bayern também exigia boas defesas do goleiro Wolfgang de Beer e, dois minutos depois da virada, Mihajlovic empatou. Restavam 24 minutos no relógio e a igualdade por 3 a 3 mantinha a situação completamente aberta na decisão.

O Dortmund se preocupou aos 31, quando De Beer se lesionou e precisou ser substituído. Porém, a vitória ainda seria dos aurinegros. Andreas Möller apresentou toda a sua qualidade e seu poder de decisão com um gol aos 43 do segundo tempo. O camisa 10 recebeu pelo lado direito do ataque, deu um corte bonito na marcação e bateu cruzado, sem chances de defesa a Raimond Aumann. Gol de classe do craque, que sequer tinha completado 22 anos ainda. O meia seria um símbolo do Dortmund campeão europeu nos anos 1990, grande liderança naqueles tempos – e também uma personalidade forte para contrapor a rivalidade com o Bayern.

O Bayern de Munique conquistou o bicampeonato da Bundesliga em 1989/90 e o Dortmund, após mais duas temporadas com Köppel, começaria a realmente encurtar distâncias na liga com a contratação de Ottmar Hitzfeld em 1991. A partir de então, as boas campanhas dos aurinegros se tornariam mais comuns e as ambições, maiores. Foi a ignição do Klassiker como um duelo ferrenho e que, mais uma vez, terá grande capítulo nesta terça, pela Bundesliga.