Durou pouco a aposentadoria de Samuel Eto’o da seleção camaronesa. O atacante do Chelsea, que abandonou o time nacional no começo de setembro por desavenças com o técnico Volker Fink, foi incluído na delegação que enfrenta a Tunísia, em 11 de outubro, no primeiro jogo da fase final das Eliminatórias Africanas. Os méritos de levar o jogador de volta ao time nacional é do presidente Paul Biya.

“O desejo do número 1 do país é que eu regresse à seleção para a equipe dar tudo de si e chegar ao Mundial de 2014”, disse, de acordo com o jornal português Record.

Biya tem experiência no assunto. Roger Milla, ídolo de Eto’o e considerado o melhor jogador africano da história, também estava aposentado da seleção, após a conquista da Copa Africana de Nações de 1988, mas Biya o convenceu a defender o time de Valeri Nepomniachi no Mundial da Itália, em 1990. Milla chegou a dizer à imprensa camaronesa que houve até um decreto presidencial envolvido na história.

Na época, Biya, presidente desde 1982, estava enfrentando muita oposição em Camarões e precisava de uma boa campanha da seleção para ofuscar os problemas do país. O plano foi um sucesso. Milla fez quatro gols e levou o time até às quartas de final, na época a melhor campanha da história de uma seleção africana – Senegal, em 2002, e Gana, em 2010, a igualaram. O ex-atacante gostou tanto da brincadeira que também defendeu as cores da nação na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.

Mais que ajudar o presidente na política, a missão de Eto’o é apagar uma imagem ruim que deixou nas três vezes (1998, 2002 e 2010) que disputou o Mundial e não conseguiu levar o time além da fase de grupos. Para isso, precisa passar pela Tunísia, superar as desavenças com o técnico, a federação camaronesa – chegou a ser suspenso por 15 jogos por liderar uma greve em 2011 – e reconquistar o respeito do grupo, desconfiado de um craque que não decide se pula do barco ou se compromete com ele.