A nona rodada do Campeonato Espanhol feminino deveria ter começado no sábado, com o jogo entre Espanyol e Granadilla Tenerife. Haveria outro jogo no dia, entre Levante e Sporting de Huelva, e outras seis partidas neste domingo. A bola, porém, não rolou. Em busca de um acordo coletivo, as jogadoras decidiram entrar em greve.

Seria o primeiro acordo desse tipo para regularizar a situação trabalhista das jogadoras. O sindicato das atletas (AFE) e a associação de clubes (ACFF) travam negociações há 13 meses, sem sucesso. Apesar da mediação da Federação Espanhola, do Conselho de Esportes da Espanha e do ministério do Trabalho, a greve não foi evitada.

As jogadoras reduziram a pedida inicial por um salário mínimo de € 20 mil anuais para € 16 mil anuais. Os clubes aceitaram subir de € 13 mil para € 16 mil, mas exigem que as atletas sejam consideradas trabalhadoras de meio período. Elas cobram período integral. As jogadoras também querem proteção no caso de lesões e gravidez.

“As jogadores concederam em diversos pontos, tentando buscar a greve, enquanto a ACFF mostrou estagnação, sem oferecer alternativas ou soluções para desbloquear o conflito”, afirmou o sindicato das jogadoras, em um comunicado. “No momento, elas são as únicas trabalhadoras de suas empresas sem um acordo coletivo que as protege como a seus colegas, situação que, no século 21, é incompreensível”.

As jogadoras votaram a favor do acordo, em outubro. A greve afeta a liga espanhola, criada em 1988, mas não as partidas da Champions League ou das seleções nacionais.

Pelo Twitter, jogadores do futebol masculino manifestaram apoio às demandas das jogadoras. Andrés Iniesta escreveu: “Todo meu apoio às jogadoras que lutam por seus direitos. Pela igualdade”. Griezmann, jogador do Barcelona, acrescentou: “Às companheiras do futebol feminino que estão em greve lutando pelos seus direitos, envio todo meu apoio. Força!”.

.

.