O momento do Aston Villa não é o melhor de sua história. Vem de três derrotas consecutivas na Premier League e está muito ameaçado pelo rebaixamento. Neste domingo, porém, poderá reviver seus períodos mais gloriosos em Wembley, onde enfrenta o Manchester City pela final da Copa da Liga Inglesa.

Historicamente, o Villa leva vantagem em quase tudo: tem mais títulos ingleses (7 x 6), embora seis deles tenham sido conquistados até 1910, mais Copas da Inglaterra (7 x 6) e uma Copa dos Campeões da Europa, grande ambição do projeto financiado pelos Emirados Árabes e liderado por Pep Guardiola.

Não leva vantagem, claro, no momento. O City está no maior da sua história e defende nesta temporada a Tríplice Coroa doméstica. Se a Premier League ficou fora de seu alcance, as possibilidades são boas de defender os títulos das duas copas.

Aliás, os quatro troféus de Copa da Liga conquistados recentemente fizeram com que o City ultrapassasse o Aston Villa nessa competição. O clube de Birmingham soma cinco títulos contra seis do de Manchester e ainda chegou a outras três finais.

Na lista de vencedores históricos, está em terceiro lugar empatado com o United e o Chelsea, atrás apenas do City e do Liverpool, maior campeão do torneio com oito.

A seguir, reunimos os vídeos e contamos a história dos cinco títulos do Aston Villa na Copa da Liga Inglesa e lembramos também as três derrotas.

1960/61 –  Aston Villa 3 x 2 Rotherham United (dois jogos)

Era a primeira edição da Copa da Liga, e ninguém sabia exatamente quanta importância dar a ela. Isso talvez tenha contribuído para o Rotherham United chegar à final. Era um clube há quase dez anos na segunda divisão, sem nunca ter sentido o gostinho da elite – e, aliás, ainda não sentiu. O Aston Villa já havia conquistado seis dos seus sete títulos ingleses, mas não estava em seu melhor momento. Ganhara a Copa da Inglaterra de 1957, mas acabara de ser campeão da segunda divisão, após um rebaixamento.

A final seria disputada em duas partidas de ida e volta e não ajudou à seriedade da competição que elas tenham sido realizadas no começo da temporada seguinte, em agosto e setembro, devido às condições climáticas. A previsão do primeiro jogo no Birmingham Mail, segundo o próprio jornal, foi preterida por “Walsall sem mudanças para pegar o Newcastle” e “Greaves buscará sua esposa” – a esposa de Jimmy Greaves ficou em Londres grávida de sua filha quando ele se transferiu ao Milan.

O Aston Villa não encontrou seu melhor jogo na primeira partida e foi derrotado por 2 a 0, fora de casa. Precisava de um grande resultado no Villa Park, mas o 0 a 0 persistiu até os 21 minutos do segundo tempo, quando Alan O’Neill achou um chute quase sem ângulo. A batida desviada de Harry Burrows, pouco depois, igualou o placar agregado e forçou a prorrogação. No começo do segundo tempo do período extra, Peter McParland marcou no rebote em jogada de escanteio e selou o título do Villa.

1974/75 – Aston Villa 1 x 0 Norwich

Ao contratar Ron Saunders, o objetivo do Aston Villa era sair do buraco. Desde aqueles jogos contra o Rotherham, havia sido rebaixado novamente e até passado pela terceira divisão pela primeira vez em sua história. Estava de volta à Segundona e a ambição primária era retornar à elite. A especialização de Saunders na Copa da Liga Inglesa era um bônus.

Saunders havia chegado à final das últimas duas edições do torneio com clubes diferentes. Em 1972/73, perdeu do Tottenham com o Norwich. Na temporada seguinte, seu Manchester City foi derrotado pelo Wolverhampton. Desta vez, o título não podia escapar. A decisão no lotado Wembley seria justamente contra o Norwich, cujo novo treinador, Bond, John Bond, havia reclamado em público do legado que recebera de Saunders.

No aquecimento para a partida, Bond não perdeu a chance de cutucar Saunders novamente.  Suas táticas na final contra o Tottenham foram criticadas por terem sido excessivamente negativas, e Bond prometia que o seu Norwich atuaria de uma maneira mais divertida na final. Chamou o colega de trabalho de “treinador de curto prazo”.

Mas foi o Aston Villa quem dominou a final, diante de quase 100 mil pessoas, com mais chances de gol do que o adversário. O tento da vitória, porém, sairia apenas aos 36 minutos do segundo tempo, quando Mel Machim fez uma incrível defesa em cabeçada de Chris Nicholl. O problema: o lateral Machim não era o goleiro do Norwich.

Pênalti para o Aston Villa. Ray Graydon foi para a cobrança, mas Kevin Keelan, esse sim com permissão para pegar a bola com as mãos, usou-as para espalmar em direção à trave. Para a sorte de Graydon, a bola voltou aos seus pés. Deu tempo de dominá-la antes de fazer o gol do segundo título do clube na Copa da Liga.

Saunders, conta a história, conseguiu levar o Aston Villa de volta à elite naquela mesma temporada e depois conquistaria mais alguns títulos também.

1976/77 – Aston Villa 3 x 2 Everton

Foi a final que nunca terminava. As autoridades do futebol inglês haviam momentaneamente esquecido do conceito de prorrogação, obrigando Aston Villa e Everton a disputarem três partidas pelo troféu da Copa da Liga, em Wembley, em Hillsborough e em Old Trafford.

O Aston Villa havia se mantido na primeira divisão na temporada em que retornou e estava fazendo uma boa campanha. Terminaria em quarto. Era favorito nas casas de aposta contra um Everton que havia feito uma rara troca de treinadores em meio à campanha – naquela época, juro que era raro. Billy Bingham havia deixado o time na parte de baixo da tabela, e Gordon Lee assumira com a missão de recuperar o Everton. E assim o fez, terminando em uma respeitável oitava posição.

O título da Copa da Liga não ficou muito longe também. O primeiro jogo, em Wembley, terminou em um apavorante 0 a 0. Em Hillsborough, apenas jogadores do Everton marcaram. Roger Kenyon fez contra a favor do Aston Villa e, aos 44 minutos do segundo tempo, Bob Latchford manteve o sonho azul de ser campeão ainda vivo.

A partida derradeira seria realizada apenas um mês depois e tinha mesmo que ser derradeira. Haveria prorrogação e pênaltis em caso de novo empate. O Everton abriu o placar quando Ken McNaught ajeitou de cabeça para Latchford colocar o clube de Liverpool pela primeira vez em vantagem após mais de 200 minutos de decisão.

Quando o relógio se aproximava do fim, a final começou a ficar bem maluca. Aos 35 minutos da etapa complementar, o zagueiro e capitão Chris Nicholl esqueceu que era zagueiro, pegou a bola pela direita, quase no meio-campo, deixou o marcador para trás e soltou um petardo de perna esquerda no canto do goleiro David Lawson. Um dos maiores golaços da história das finais da Copa da Liga Inglesa.

O Everton saiu com a bola, mas, segundos depois, ela estava de volta ao Aston Villa. Troca de passes até Brian Little ser lançado na entrada da área. Neil Robinson teve a chance de dominar, mas não conseguiu, Little ganhou e, quase sem ângulo, virou o jogo para o Villa em questão de poucos minutos.

A saída de bola no meio-campo foi um fundamento muito importante em Old Trafford. O Everton reiniciou o jogo novamente, mas com mais qualidade desta vez, e ganhou um escanteio. A bola foi cabeceada uma centena de vezes na área do Villa antes de Michael Lyons empurrar às redes e garantir a prorrogação.

Com o tempo extra terminando, ainda nada separava os dois times, e foi o zagueiro do Everton, Terry Darracott, quem tomou a decisão que todos os outros estavam evitando. Ninguém sabe ainda porque ele hesitou em cortar o cruzamento rasteiro da direita que passou ao seu lado. O fato é que ele não o cortou. A bola atravessou a área e encontrou um muito livre Little na pequena área. E o Villa foi campeão.

1993/94 – Aston Villa 3 x 1 Manchester United

Se o Aston Villa quiser tirar inspiração para derrotar o Manchester City, este jogo é uma boa pedida. O clube não estava tão mal naquele momento. Depois de ser campeão inglês e europeu no começo da década de oitenta, havia feito um bate e volta na segunda divisão, mas colecionara dois segundos lugares na elite, inclusive na temporada anterior, a inaugural da Premier League. Ficaria em décimo naquela edição da liga inglesa.

Mas o Manchester United já começava a ser o papa-títulos construído por Alex Ferguson e naquela mesma campanha conquistaria o Campeonato Inglês, a Copa da Inglaterra e a Supercopa. Peter Schmeichel era um importante desfalque de Ferguson para uma partida que tinha um gostinho especial para o treinador do Aston Villa.

Ron Atkinson foi quem começou a recuperar o Manchester United de uma década de setenta com rebaixamento e aposentadoria de Matt Busby. Chegou próximo do título inglês em 1985/86, com dez vitórias seguidas e 15 rodadas de invencibilidade no começo do campeonato, mas o deixou escapar. No começo da campanha seguinte, com a venda de Mark Hughes e uma série ruim de resultados, foi demitido, e Ferguson assumiu o comando.

Coincidências da vida, o placar foi aberto em Wembley pelo camisa 10, Dalian Atkinson, que não tinha nenhuma relação familiar com Ron. Coincidências da vida, Dean Saunders desviou cobrança de falta na primeira trave e fez 2 a 0, mas também não era parente do outro Ron da história do Aston Villa (Dean era filho de Roy, jogador do Liverpool nos anos cinquenta).

Mark Hughes ainda descontou para o United, mas, nos acréscimos, Saunders cobrou pênalti para o Aston Villa comemorar seu primeiro título desde a Supercopa da Europa de 1982. “A ficha só caiu depois, mas eles estavam tentando conquistar a Tríplice Coroa doméstica. Teriam sido os primeiros a fazer isso”, disse Ron Atkinson, ao Birmingham Mail.

1995/96 – Aston Villa 3 x 0 Leeds

Herói do título da Copa da Liga de 1977, Brian Little comandaria outra final, mas, desta vez, a partir do banco de reservas. Foi o substituto de Ron Atkinson e aquela temporada foi especial. Ficou em quarto lugar na Premier League, chegou à semifinal da Copa da Inglaterra e conquistou o título que até pelo menos o próximo domingo ainda é o último da história do Aston Villa.

Aquele time tinha alguns nomes conhecidos. Entre eles, Gareth Southgate, atual treinador da seleção inglesa, e Savo Milosevic, atual chefe do Partizan. O goleiro era Mark Bosnich, e o atacante, Dwight Yorke, que defenderiam o Manchester United muito em breve.

O Leeds havia conquistado a última edição do Campeonato Inglês antes da Premier League, alternou campanhas ruins com dois quintos lugares e não foi páreo para o Aston Villa naquela tarde em Wembley.

Milosevic abriu o placar com um golaço, aos 20 minutos. Acertou uma bomba de canhota no ângulo de John Lukic. No segundo tempo, Ian Taylor dobrou a vantagem do Villa pegando de primeira da entrada da área. Mais tarde, Milosevic puxou o contra-ataque e rolou para Yorke colocar o título fora do alcance do Leeds United.

As derrotas

James Milner, de pênalti, abriu o placar na última vez em que o Aston Villa disputou uma final de Copa da Liga Inglesa, em 2009/10. Era o time de Martin O’Neill que se estabeleceu na parte de cima da tabela da Premier League e disputou algumas edições da Liga Europa/Copa da Uefa. Michael Owen e Wayne Rooney, porém, viraram a partida a favor do Manchester United.

Aquela foi a terceira vez que o Aston Villa foi vice-campeão da Copa da Liga. A primeira havia sido em 1962/63, dois anos depois de ganhar a edição inaugural do torneio. E foi uma derrota bem dolorida para o time de Joe Mercer, contra o grande rival Birmingham.

A outra foi em 1970/71, em meio ao pior momento da história do clube. Disputava a terceira divisão pela primeira vez e terminaria a liga em quarto lugar, sem conseguir o acesso. E não havia muito o que fazer contra o grande Tottenham de Bill Nicholson. Até conseguiu segurar o 0 a 0 por um bom tempo, mas Martin Chivers marcou duas vezes depois dos 33 minutos do segundo tempo e garantiu o título aos Spurs.

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