A crise do coronavírus tem que servir para o futebol refletir sobre os seus valores e tomar medidas para se tornar mais sustentável e próximo do seu público. Essa é a opinião do presidente da Federação Alemã de Futebol, Fritz Keller, exposta em um plano de cinco pontos, cujo mais prático é a adoção de um teto salarial. Ele também promete que a Eurocopa de 2024, sediada pelo país, será um “bastião de sustentabilidade”.

Keller tem um apoio importante nessa empreitada: Karl-Heinz Rummenigge. Recentemente, Keller foi criticado pelo dirigente do Bayern de Munique por ter dito que a ostentação de dinheiro de alguns dos maiores clubes gera uma percepção negativa do futebol e que os jogadores deveriam ter mais humildades, mas ambos concordam que precisa haver um teto salarial e pretendem escrever à Uefa pedindo a sua introdução.

“Há salários absurdos e taxas de transferência que não têm mais credibilidade. Temos que falar sobre um teto salarial e fico feliz que concordo com Karl-Heinz Rummenigge nesse ponto”, afirmou Keller, segundo o Daily Mail.

Em seu manifesto, publicado no site da Federação Alemã, acrescentou: “Precisamos aproximar o futebol profissional do povo. Temos que pensar em um teto. Discutir a reforma do fair play financeiro para todo o futebol. Entrarei em contato com meus colegas no nível nacional e internacional, assim como com o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin. No fim do dia, precisa haver regulações alinhadas com a lei europeia, que também se a aplica à Grã Bretanha. Comissões para auxiliares de jogadores e grandes taxas de transferência irritam cada vez mais a sociedade. Todo o futebol precisa dar respostas satisfatórias a esses problemas”.

Os outros quatro pontos apresentados por Keller pedem um “novo padrão de sucesso”, em que os clubes se planejem em longo prazo, não apenas temporada a temporada, fortalecimento do trabalho voluntário nos clubes, amplo diálogo com todos os níveis do futebol e ajuda ao combate contra a COVID-19.

“Estamos enfrentando um vírus perigoso. Eu vejo o futebol firmemente ancorado na sociedade com a responsabilidade de contribuir com seu poder positivo. Prevenção e testes mais amplos possíveis podem ajudar a conter o vírus de uma maneira direcionada até a vacina ser desenvolvida. Assim, podemos tomar mais passos na direção de uma abertura sem correr o risco de uma segunda onda de infecção. Se a política e a ciência escolherem o caminho dos testes preventivos, o futebol fará sua contribuição para o sucesso dessa medida: com seu poder de conectar, sua popularidade, logística e infraestrutura, mas acima de tudo, com seus sete milhões de membros e 25 mil clubes. Eu já discuti propostas relevantes com representantes políticos”.

“O futebol, como o resto da sociedade, está pouco a pouco retornando a um novo tipo de normalidade. Os efeitos da pandemia de coronavírus, no entanto, continuarão a existir pelos próximos anos. Logo, agora a questão não é apenas esperar, mas aprender com essa crise e tornar sustentável a singular estrutura do futebol alemão”.

“Não quero apontar o dedo para ninguém. Temos que ser auto-críticos, nos questionar e permitir que a visão externa da DFB nos diga o que fizemos de errado no passado para podermos corrigir nossos erros porque a crise oferece a oportunidade de olhar para frente e reposicionar o futebol para preservá-lo às futuras gerações”.

“Sediaremos uma Eurocopa em nosso país em 2024. Podemos olhar para isso com esperança. Fizemos uma promessa em nossa candidatura: este torneio tem que ser um bastião de sustentabilidade. Isso não se aplica apenas ao torneio. Isso se aplica para toda nossa associação ao futebol do futuro”, encerrou.

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