Francesco Totti lançou a sua biografia, “Um Capitano”, que foi lançado nesta quinta-feira, 27. Um dos episódios que o livro conta é algo que foi muito falado na última temporada como profissional, quando teve problemas com o treinador Luciano Spalletti. Muitos atribuem ao treinador a decisão de Totti de ter se aposentado, aos 40 anos de idade. No livro, Totte descreve um episódio nos vestiários depois de um jogo que ele marcou duas vezes na vitória de virada.

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Spalletti teve duas passagens pela Roma. A primeira foi de 2005 a 2009 e é quando Totti elogia mais o treinador. Depois, foi para o Zenit e voltou na temporada 2016/17, que acabaria sendo a última de Totti como jogador profissional. Ele diz que tanto Spalletti quanto o diretor Franco Baldini escolheram por ele o momento dele se aposentar, algo que, claro, não o agradou nem um pouco. Os desentendimentos com Spalletti ficaram públicos e, no final da temporada, pareceu ser inevitável a aposentadoria de Totti.

“Quando o último de nós entrou ele fechou a porta atrás dele, batendo, e começou a gritar”, escreveu Totti. “Meu armário é o mais longe da entrada, estou do lado de [Daniele] De Rossi e [Alessandro] Florenzi, amarrando meus cardarços. Eu não notei o silêncio subido… Quando eu levanto a minha cabeça, eu encontro o rosto de Spalletti a um centímetro do meu, esperando por mim: ‘Chega, você quebrou minhas bolas, você finge comandar, mas você deveria apenas parar, você joga cartas apesar da minha proibição, para mim chega de você’”.

“Tudo isso gritado no máximo volume. Foi a última discussão entre mim e Spalletti, no sentido que eu também perdi a cabeça e quatro pessoas tiveram que nos separar. Daí em diante, o relacionamento ficou totalmente fechado”, descreveu ainda o ex-jogador. “Então, recuperando a sua calma, ele foi para a sala de imprensa e disse que mesmo que eu tivesse marcado os gols, o mérito pela virada pertencia ao elenco”.

Em dezembro de 2016, Totti deu uma entrevista ao TG1 dizendo que tinha se sentido desrespeitado e que foi banido dos campos de treinamentos por Spalletti. “Ele disse: ‘Chega, não faz sentido continuar, você não entende. Você estava errado, agora vá para casa’. Foi a punição mais humilhante, ser mandado embora de Trigoria. Eu. Expulso da minha casa”, contou Totti. “Eu estava tremendo de raiva. ‘Tudo bem, eu aceito a punição. Veremos se você ou eu irá pagar as consequências’”, explicou o craque.

“Spalletti então disse: “Você está me ameaçando?’. Eu disse: ‘Você sabe que os torcedores da Roma estão do meu lado, eu disse apenas coisas boas sobre você e ainda assim você me expulsa. Assuma sua responsabilidade’”, explicou o lendário camisa 10 da Roma. “Spalletti disse: ‘Agora você é como as outros, esqueça de quando você era insubstituível’. Eu disse: ‘Covarde, então agora você não precisa mais de mim, então me pisa nas bolas, né? Você veio aqui com uma missão, então termine”.

O episódio do carteado que varou a madrugada

“Spalletti é um grande técnico, possivelmente o melhor que eu tive. E isso se aplica às duas passagens pela Roma. Na sua primeira passagem, ele era algo mais, especialmente para mim, porque ele era um técnico com quem você podia sair para jantar e falar livremente, sem se preocupar em expressar a sua opinião”, descreveu Totti.

“Nós costumávamos organizar torneios de Briscola [um jogo de cartas italiano] e no final da temporada estava sem terminar porque a mesa final ainda não tinha sido decidida. Então, depois do jantar, eu propus que aqueles que fossem dormir em Trigoria deveriam decidir essas coisas. O grupo unanimemente aceitou e isso faz a gente esquecer a hora. Então, foi só quando alguém bateu na porta que nós percebemos que eram 5h30 da manhã”, contou Totti.

“Quem está aí? ‘Não seja espertinho, Francesco’. Eu abri a porta devagar e vi Spalletti com o dedo indicador apontando para o relógio. ‘Você sabe que horas são?’. ‘Chefe, nós iremos ganhar amanhã do mesmo jeito, eu cuido disso’. Mas Spalletti não deixou isso passar, ele me empurrou para o lado e entrou no quarto. Ele ve [Stefano] Okaka, [Alberto] Aquilani e [Aleandro] Rosi e ele pode perceber que outros estavam se escondendo no banheiro. Então, meio surpreso e meio enojado, ele disse: ‘Você acha que isso é normal antes de uma partida?’”, conta Totti no livro.

“Spalletti voltou a dormir, mas ele pediu para Roselle [Sensi, o dono] para fazer algumas vendas como punição. Talvez a fobia dele de cartas começaria ali e teria participação na controvérsia relacionada à minha aposentadoria”, relatou o ex-jogador.

O técnico Luciano Spalletti e o diretor, Franco Baldini, não gostaram do que Totti relatou no livro, sobre os dois terem forçado a aposentadoria do astro romanista. Mas ele não pareceu ligar muito para isso. “Eu não esperava essa reação. Eu espero que não tenha nenhuma outra pessoa que fique brava. Eu escrevi o livro para falar sobre os meus 25 anos na Roma. Eles deveriam estarem felizes porque eu os mencionei”, disse o jogador. “Eu preferia ter decidido quando me aposentar por mim mesmo, porque eu sei com a minha cabeça e meu corpo quando seria o tempo certo de parar. Eu provavelmente faria isso naquele ano de qualquer jeito, mas de um modo diferente”.