Você consegue imaginar Lionel Messi vestindo outra camisa? E na Espanha? Mauricio Pochettino, treinador do Tottenham, revelou que em 2005 o craque do Barcelona ficou perto de mudar de clube, embora sem nem sair da cidade. Na época ainda jogador, o então zagueiro argentino quase foi companheiro de clube do novato, na época.

LEIA TAMBÉM: Para Maradona, Messi deveria deixar seleção argentina: “Tudo colocam a culpa nele”

“Eu lembro daquele verão, ele estava tão perto de ir para o Espanyol”, afirmou Pochettino, em coletiva de imprensa antes da partida entre o seu Tottenham e o Barcelona, do agora capitão Lionel Messi. “Se ele tivesse ido, talvez ele pudesse ser a maior estrela no Espanyol. Nós deveríamos ser o Barcelona! Ele teria sido meu companheiro e talvez eu ainda estivesse no Espanyol o dirigindo”, afirmou o treinador.

A proposta, porém, não era uma venda, e sim um empréstimo de uma temporada. Ele tinha contrato até 2010 com o clube. O clube que o formou sabia que tinha um fenômeno em mãos. Só que tinha um problema para manter Messi no elenco. Então com 18 anos, Messi ainda era considerado um estrangeiro e só eram permitidos três. Na época, as vagas eram ocupadas por Rafa Márquez, Ronaldinho e Samuel Eto’o.

Messi tinha estreado pelo Barcelona na temporada 2004/05, justamente em um jogo contra o Espanyol do então zagueiro Mauricio Pochettino. Só que com a lista de estrangeiros preenchida e com o jogador querendo jogar mais regularmente na temporada 2005/06 visando a Copa do Mundo pela Argentina, o empréstimo ao Espanyol era uma possibilidade. Um dos trunfos que o Espanyol tinha para convencer Messi a seguir para o clube era Pablo Zabaleta (atualmente no West Ham), que jogava na equipe na época e tinha sido companheiro de Messi no Mundial sub-20 de 2005, quando foram campeões juntos. Havia outros clubes interessados também, como Juventus e Internazionale.

“Eu comecei a ouvir sobre Messi quando eu era jogador do Espanyol. Esse cara pequeno jogando nas categorias de base do Barcelona, que chegou da Argentina quando tinha 13 anos”, contou Pochettino. “Então eu ouvi que ele estava muito perto de ir para o Espanyol. Mas por ele ter sido fantástico no Troféu Joan Gamper contra a Juventus e o técnico Fabio Capello o elogiou depois, na coletiva de imprensa, e o Barcelona mudou de ideia. Eles mantiveram Messi no Barcelona”, conta.

O jogo foi no dia 24 de agosto de 2005 e a Juventus era, então, um time com nomes como Fabio Cannavaro, Patrick Vieira e Giorgio Chiellini. As palavras de Capello foram de fato muito elogiosas. “Eu nunca vi um jogador com tanta qualidade nessa idade e com tanta personalidade vestindo uma camisa tão importante”, afirmou o treinador italiano então. “Ele pode fazer o que quiser com a bola. Eu estou contente que um garoto tão jovem faça algo tão bonito pelo futebol”. O Barcelona o manteve e recorreu à federação espanhola, que tinha negado a sua inscrição como espanhol. O clube recorreu, porque o argentino já vivia em Barcelona desde os 13 anos e, portanto, se enquadraria para tentar a cidadania. Cinco semanas depois, ele conseguiria a cidadania. Assim, não ocuparia mais a vaga de estrangeiro e pôde continuar no elenco.

Quando perguntado a Pochettino sobre o dia que Messi estreou pelo Barcelona contra o seu time, ele minimizou. “Vocês dizem para mim: ‘Você jogou na estreia de Messi’… Não, eu não lembro. Eu era zagueiro e joguei no time. Nós não nos enfrentamos”, conta o agora técnico. “Quando Messi fez a sua estreia, era como outro jovem que chegou das categorias de base, como foi Xavi, Iniesta ou Iván de la Peña. Na verdade, não. Quando De la Peña começou a jogar pelo Barcelona, houve uma explosão de empolgação. Eu sempre lembro de Ronaldo dizendo que era o melhor jogador que ele viu na vida e com quem jogou”, diz o técnico do Tottenham, ainda sobre a época de jogador.

Como treinador, Pochettino foi perguntado como lidaria com a ameaça Messi em campo. “Eu não vou tentar encontrar uma solução contra Messi, isso é impossível”, disse ele. “É apenas aproveitar. Mais do que te preocupar, isso precisa te empolgar”, descreveu o técnico. “Eu joguei contra Maradona e Ronaldo e, para o seu ego, é algo que você dirá aos seus filhos e netos. Então, aproveite, fique perto e tente jogar no campo contrário, empurrar Leo para jogar longe do nosso gol. Porque se não, é terrível”.

Barcelona e Tottenham se enfrentam nesta quarta-feira, 16h (horário de Brasília), pelo Grupo B da Champions League. Confira a Programação de TV.