Na intensa ciranda que envolveu os técnicos do Brasileirão na última semana, Rogério Ceni ocupou uma posição central. O ex-goleiro até queria ficar no Cruzeiro. Boa parte da torcida também defendia a permanência do treinador. No entanto, a diretoria preferiu bancar o elenco que entrou em rota de colisão com o comandante e lhe deu o bilhete azul. Nesta segunda, enquanto a Raposa tentava seguir sua nova vida com Abel Braga, Ceni também reassumia o Fortaleza. E uma sucessão de minutos caiu como doce vingança ao chefe do Leão do Pici, não apenas por alcançar sua vitória, como também por custar os lamentos de seus desafetos celestes.

Aos quatro minutos do segundo tempo, o Cruzeiro abriu o placar contra o Goiás no Serra Dourada. Thiago Neves foi lançado por David e mandou para as redes. Parecia até emblemático que o meia, abertamente crítico às decisões de Rogério Ceni, pudesse desbravar os caminhos à vitória logo após a saída do comandante. Porém, o tento acabou anulado. A tecnologia flagrou um impedimento milimétrico e invalidou o lance. A contagem se manteria zerada em Goiânia.

O Goiás deu o troco e verdadeiramente inaugurou o marcador aos 16 minutos. Michael descolou um belíssimo cruzamento rasteiro e Alan Ruschel apareceu no segundo pau para completar. Méritos de Michael, que bagunçava a defesa cruzeirense pela direita, e também da excelente movimentação de Ruschel. Ainda assim, há uma dose de erro da defesa adversária. Quem estava perdido no meio da área e permitiu que Ruschel aparecesse em posição legal? Sim, Dedé, outro que bateu de frente com Ceni e participou do episódio que serviu de gota d’água. Deméritos também de Edílson, mais um que teve seus entreveros com o antigo chefe. O lateral, preterido por estar fora de forma, apareceu andando na lateral e permitiu que o adversário passasse livremente às suas costas.

Praticamente no mesmo instante, o Fortaleza também saiu em vantagem contra o Botafogo no Castelão. Após uma cobrança de escanteio fechada, Marcelo Benevenuto mandou contra as próprias redes e permitiu o triunfo do Leão do Pici. Os tricolores seguraram a vitória por 1 a 0, encerrando uma sequência de quatro partidas em jejum. Rogério Ceni, que foi recebido com aplausos antes da partida, pôde somar mais três pontos pelo novo velho clube.

Antes mesmo que a bola rolasse, Ceni declarou que preferia descansar até o fim do ano, mas atendeu o pedido insistente do presidente do Fortaleza. “Talvez por uma questão de dívida eu decidi voltar, também pelos caras serem acima da média. Imagino jogar da mesma maneira e espero que a torcida se contagie”, afirmou, ao Globo Esporte. Ao final, ficou a impressão sobre a maneira como ainda pode fazer a diferença aos tricolores.

Abel Braga, por outro lado, foi flagrado já fazendo uma crítica à postura dos jogadores no Brasileirão. Antes do jogo, enquanto cumprimentava Ney Franco, a câmera do SporTV captou o áudio do novo técnico do Cruzeiro: “Vida de treinador tá foda. Jogador xinga treinador, treinador vai embora e jogador continua. Tamo fodido”. Dentro de campo, sua nova equipe pouco correspondeu. Os problemas de organização dos celestes foram evidentes e a falta de atenção da zaga custou caro demais. Quando os mineiros tentaram se recuperar do prejuízo, pararam na atuação do goleiro Tadeu.

A vitória permite ao Goiás pegar embalo na tabela. Com três triunfos consecutivos, o time ocupa o 11° lugar. Soma 30 pontos, 11 acima do Z-4. O Cruzeiro segue amargando sua situação na zona de rebaixamento. É o 17°, com 19 pontos. Um dos concorrentes diretos se alavancou: o Fortaleza, que agora chega aos 25 pontos e assume o 13° lugar. Ao menos neste momento, Ceni parece mais próximo da salvação do que os antigos comandados.