Atleticanos, cruzeirenses e flamenguistas puderam comemorar a classificação às semifinais da Copa do Brasil nesta quarta. Mas não é de se espantar que o maior sentimento de orgulho tenha ficado com dois eliminados. América de Natal e ABC caíram nas quartas de final contra “grandes”. Fato que não diminui o feito enorme que a dupla alcançou, tornando o Rio Grande do Norte o sétimo estado brasileiro a emplacar dois times entre os oito melhores do torneio, e apenas segundo do Nordeste. Campanhas que ficarão na memória dos potiguares e que servem até mesmo para rebater algumas dúvidas sobre o futebol local.

Afinal, não foi por sorte que América e ABC chegaram tão longe na Copa do Brasil. Foi por competência, pela capacidade de surpreender. Os alvirrubros deixaram para trás duas equipes da Série A. E nem nos melhores sonhos a torcida do clube imaginaria vitórias tão épicas quanto as conquistadas no Rio de Janeiro e em Curitiba. Contra o Fluminense, o América buscou a maior virada da história da Copa do Brasil ao marcar quatro gols em apenas 45 minutos, revertendo os 5 a 1 no placar agregado. Já na Arena da Baixada, os potiguares podem dizer mesmo que venceram o Atlético, por mais que tenham perdido por 2 a 0. A maneira como seguraram a pressão para manter os 3 a 2 no agregado foi heroica. E, mesmo perdendo para o Flamengo no Maracanã por 1 a 0, após a derrota em casa, o Mecão deu muito trabalho ao goleiro Paulo Victor.

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Já o ABC conseguiu sua maior façanha contra um clube que não está exatamente na Série A, mas merece todo o respeito. Os alvinegros seguraram o empate contra o Vasco em São Januário e fizeram a sua parte em Natal, com a vitória por 2 a 1 sobre os cruzmaltinos. A última etapa antes de colocar o Cruzeiro contra a parede. Tudo bem que os 3 a 0 que os celestes abriram no placar agregado entre o jogo de ida e o primeiro tempo da volta relaxaram o time misto. Contudo, por alguns minutos, o ABC acreditou que era possível desbancar os atuais campeões brasileiros. Três gols em 25 minutos e, não fossem os dois tentos que os cruzeirenses marcaram fora de casa, os potiguares poderiam ter alcançado o milagre.

E, tanto quanto a garra dos dois times em campo, merece destaque a festa feita pelas torcidas nas arquibancadas. Os alvirrubros se destacaram pelos belos mosaicos, enquanto os alvinegros mantiveram o apoio incondicional. Se ambos os grandes de Natal levam cerca de 4,5 mil espectadores em seus jogos em casa pela Série B, na Copa do Brasil essa média saltou para mais de 10 mil pagantes. Considerando o público total, a dupla atraiu 123 mil pessoas às arquibancadas em 10 partidas. Mais do que Palmeiras, Vasco e Cruzeiro juntos, também em 10 jogos como anfitriões.

Nos principais duelos, a Arena das Dunas esteve cheia. Serve até mesmo para rebater as desconfianças de quem apontava o estádio como um dos “elefantes brancos” da Copa de 2014. Obviamente, ainda é preciso uma consistência maior para fazer o estádio sustentável. No entanto, os potiguares indicaram que tem time e torcida para isso.

Nos dois meses restantes da temporada, América e ABC voltam a se focar na Série B. A situação dos times está longe de ser cômoda na tabela, com os alvirrubros na zona de rebaixamento e os alvinegros lutam para não entrar nela. No entanto, dois times que demonstraram tanta raça nos jogos decisivos da Copa do Brasil certamente têm qualidade para a reta final da segundona. Para, quem sabe, sonhar com o retorno à Série A no próximo ano e tentar assombrar outra vez os grandes.