Jogar bem aumenta muito a chance de um time vencer. Vencer, porém, não é uma exclusividade de quem joga bem. O problema é que algumas vezes o preço a ser pago por jogar pouco, ainda mais quando se trata de uma seleção favorita, é alto. Campeã do mundo, a seleção dos Estados Unidos era a grande favorita à medalha de ouro no futebol feminino dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. A falta de futebol na primeira fase não seria problema se aparecesse nos jogos eliminatórios. Não apareceu. E a eliminação diante da Suécia, que parece um absurdo no início do jogo, aconteceu. Assim, nenhuma campeã do mundo conseguiu o ouro olímpico em seguida.

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O empate por 1 a no tempo normal foi marcado por um domínio americano durante todo o jogo em Brasília. Os Estados Unidos foram mais ofensivos e tentaram mais o gol. O problema é que não conseguiram criar tantas chances assim e viram as suecas aguentarem a pressão e contra-atacarem. Foi em um desses contra-ataques que saiu o gol aos 16 minutos. Stina Blackstenius recebeu lançamento longo, avançou e chutou cruzado para vencer a goleira Hope Solo.

O gol de empate veio com Alex Morgan, depois de um lançamento que bateu na cara de Jessica Samuelson e sobrou para a atacante finalizar e empatar, aos 32 minutos. Dali em diante, o time americano pressionou, tentou o gol e se arriscou a sofrer contra-ataques. O gol não saiu e a disputa, na prorrogação, não foi muito diferente. Os dois times tentaram, com as americanas controlando as ações, mas faltou uma chance clara. A disputa seria mesmo nos pênaltis.

Este foi um momento histórico, porque nunca antes havia rolado uma disputa como essa, em jogos eliminatórios, em jogos Olímpicos. E as americanas foram as primeiras derrotas nesse tipo de disputa. Desde que o futebol feminino entrou nos Jogos Olímpicos, não havia rolado uma disputa desse tipo. Linda Sembrant perdeu para as suecas. As americanas perderam dois pênaltis na série inicial de cinco chutes, com Christen Press e Alex Morgan.

A eliminação gerou declarações controversas de Hope Solo. “Eu acho que nós fizemos um jogo corajoso. Eu acho que tivemos muitas oportunidades de gol. Acho que mostramos muito coração”, declarou a goleira após o jogo. “Nós nos recuperamos depois de sair um gol atrás. Estou muito orgulhosa desse time”, continuou.

A goleira americana não poupou críticas ao estilo de jogo sueco.  “Eu também acho que jogamos com um bando de covardes. O melhor time não se classificou hoje. Eu acredito firmemente nisso. Eu acho que vocês viram o quanto coração americano. Vocês viram que demos tudo que tínhamos hoje”, analisou. “Não acho que elas vão longe no torneio. Eu acho que elas foram muito covardemente”, declarou. “Mas elas venceram. Elas continuam e nós estamos indo para casa”.

A técnica Pia Sundhage, técnica dos Estados Unidos nas conquistas da medalha de ouro em 2008 e 2012. Ao saber dos comentários de Solo, a técnica mostrou indiferença. “Eu não sou a mínima. Eu vou para o Rio e Solo vai para casa”. Hope Solo, 35 anos, é uma das líderes do elenco das americanas, atual campeã mundial.

A Suécia nunca conseguiu uma medalha no futebol feminino, mesmo sendo uma equipe forte. As americanas, por outro lado, nunca tinham deixado de ganhar uma medalha. Desta vez, ficam fora do pódio.

Chamada Trivela FC 640X63