É, eu sei, o enredo muitas vezes acaba sendo repetitivo. Mas fica difícil fugir dele quando André-Pierre Gignac escreve a história continuamente com a camisa do Tigres. O que no início surgiu como um negócio surpreendente agora parece ser a porta de entrada para que outros jogadores europeus tentem a sorte na América Latina. Afinal, o centroavante francês protagoniza o momento mais brilhante do clube em todos os tempos. Em nove meses no elenco, conquistou o Apertura Mexicano e chegou à segunda final continental consecutiva, um feito inédito em confederações diferentes. Depois da derrota para o River Plate na Copa Libertadores, os felinos têm a chance de se redimir e (agora sim) buscar o Mundial de Clubes, na decisão da Concachampions.

Ao longo de março, Gignac passou cinco jogos sem marcar, seu maior jejum desde 2014. Porém, recuperou a fome de gols no momento exato. Depois de balançar as redes pela seleção francesa, encaminhando sua presença na Euro 2016, ele voltou a somar na artilharia do Mexicano durante o empate por 2 a 2 contra o Atlas. Já nesta terça, garantiu a classificação na final continental contra o Querétaro. O centroavante anotou os dois tentos do Tigres na vitória por 2 a 0 no Estádio Universitário de la UANL. E ambos aconteceram apenas depois dos 39 do segundo tempo. No primeiro, o camisa 10 se valeu do oportunismo, antes de demonstrar sua categoria no segundo, deixando um marcador no chão e encobrindo o goleiro Tiago Volpi. E isso porque, vale lembrar, ele já tinha desempenhado papel decisivo contra o Internacional nas semifinais da Libertadores de 2015.

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Apesar da dominância dos mexicanos na Concachampions, esta será a primeira vez que o Tigres disputa a final na América do Norte e Central. Uma chance de responder ao rival Monterrey, tricampeão do torneio entre 2011 e 2013. No entanto, não dá para esperar vida fácil na decisão. O adversário é o maior campeão e atual dono da taça, o América. O clube da capital eliminou o Santos Laguna do outro lado da chave, mas sofreu. O triunfo por 1 a 0 saiu apenas na prorrogação, com gol de falta do equatoriano Michael Arroyo, contando com a infeliz colaboração do bom goleiro Agustín Marchesín.

Gignac, todavia, não deve ser o único destaque individual nas finais. O Tigres conta com bom conjunto, em especial por Rafael Sóbis, Juninho, Nahuel Guzmán e Jürgen Damm. Enquanto isso, o América possui diversos nomes tarimbados, como Paolo Goltz, Paul Aguilar, Miguel Samudio, Oribe Peralta e Carlos Quintero. Mas, desde que chegou ao México, foi o centroavante francês quem decidiu os confrontos entre os dois clubes: marcou de pênalti na vitória por 1 a 0 em setembro, enquanto acabou com o jogo fazendo um golaço nos 4 a 1 de fevereiro e soltando até Kamehameha. O camisa 10 acumula 28 tentos em 41 partidas pelo Tigres.

As finais da Concachampions acontecem nos dias 20 e 27 de abril, primeiro no Estádio Universitário de la UANL e depois no mítico Azteca. Enquanto o América possui sua classificação encaminhada para os mata-matas do Clausura mexicano, em segundo, o Tigres corre riscos – após atravessar quatro jogos sem vencer, caiu para a sétima colocação. O líder do nacional é o Monterrey.

Abaixo, o segundo gol de Gignac e o erro de Marchesín, que conduziram os finalistas da Concachampions 2015/16: