O ataque do Liverpool é certamente algo que chama a atenção quando se vê a escalação, mas o que temos visto nesta temporada é um time muito mais equilibrado que as equipes anteriores de Jürgen Klopp no comando dos Reds. É a melhor defesa da Premier League (20 gols sofridos em 34 jogos, média de 0,58 gol sofrido por partida) e o segundo melhor ataque, com 77 gols (2,2 gol por jogo), atrás apenas do Manchester City. A presença de Virgil van Dijk foi crucial para isso, mas há um ponto negativo no time mais seguro: o time por vezes perde gols que não deveria perder no ataque. Nesta quarta, diante do Porto, o time mostrou a precisão que o time precisa ter em jogos mais duros, como será contra o Barcelona na semifinal da Champions League.

“Nós temos jogado melhor nesta temporada, mas foi muito difícil. Nós sabíamos que seria um redemoinho aqui e foi isso que eles fizeram. Eles jogaram em uma direção, bolas longas atrás, eles tiveram um momento e não tiveram ritmo. Nós defendemos muito bem no último terço, mas quando nós tivemos a bola, não jogamos o bastante”, analisou Klopp, que conseguiu corrigir um problema do time nas temporadas anteriores, com uma defesa nem sempre confiável.

“Mas nós tivemos nossos momentos. Nós marcamos um gol, nós tivemos outra grande chance. As finalizações que eles tiveram não foram muito boas. No segundo tempo, a energia deles diminuiu e nós pudemos controlar mais o jogo e marcar os gols”, disse o treinador do Liverpool. “Nós somos mais experientes agora. Foi um jogo difícil, então tudo bem. Nós somos o único time que estava na semifinal no ano passado e que está lá neste ano. Será a primeira vez para mim que eu enfrento o Barcelona, então eu estou ansioso por isso”.

Sadio Mané, um dos jogadores em melhor fase do Liverpool, é também um dos que perde muitas chances ao longo da temporada. O gol que marcou ajudou a colocar o time em vantagem fora de casa e será preciso que ele tenha essa mesma eficácia nos duelos que virão pela Premier League e Champions League. “Para ser honesto, o início foi difícil. O espírito do time foi ótimo, nós nunca desistimos. Mas nós pressionamos muito, criamos chances e merecemos vencer. Para ser honesto, eu achei que estava impedido e fiquei surpreso. Mas foi um gol importante e nós classificamos para a final. Nós conseguimos!”, afirmou o atacante.

“Foi duro. Os rapazes foram muito bem. Foi difícil no primeiro tempo. Nós sabíamos que indo ao ataque poderíamos marcar. Eu achei que o gol de Sadio estava em posição regular, eu estava na linha onde foi o gol, mas acho que fui o único a pensar isso! Shaq (Xherdan Shaqiri) não achou. Nos deu um impulso real para ir para o intervalo”, analisou Jordan Henderson, o capitão do time. Ele entrou apenas no segundo tempo.

“Quando eu entrei, tentei manter a bola e ser sensível, mas Joe fez uma grande corrida para pegar o defensor novamente e eu vi Bobby [Roberto Firmino] e Sadio no meio. Nós acreditamos que podemos continuar invictos, mas temos que trabalhar duro. Nós demos tudo e nós tentamos ser um time horrível para se jogar contra. O placar de hoje nos lisonjeia um pouco e a torcida do Porto foi incrível, então é preciso dar crédito a eles também”, afirmou ainda Henderson, autor do cruzamento para o gol de Firmino.

O Barcelona é um time forte, mas que tem seus problemas e o Manchester United, claramente em um nível inferior aos catalães, foi capaz de expor isso. Antes do jogo de volta, o técnico do United, Ole Gunnar Solskjaer, repetiu algumas vezes que o time precisaria ser cirúrgico para aproveitar suas chances e conseguir a classificação. Não passou nem perto disso, mas não quer dizer que não tenha havido chances ou espaços a serem aproveitados. O United não conseguiu aproveitá-los, mas o Liverpool está em um patamar de time diferente, ofensiva e defensivamente. Se um defeito do time é justamente não ser cirúrgico em alguns momentos, essa será a chance de efetivamente fazer isso.

O Liverpool tem recursos para enfrentar o Barcelona de igual para igual. A melhoria defensiva que o time vive nesta temporada e a forma dos jogadores nas últimas semanas vem mostrando um time muito forte fisicamente e que pode impor muito mais dificuldade do que o Manchester United conseguiu no primeiro jogo. Em Old Trafford, Lionel Messi teve pouco espaço e se viu preso com poucos espaços, enquanto o meio-campo dos Red Devils se impôs fisicamente e ocupando os espaços. Essa é uma característica que o Liverpool faz muito bem. Fabinho se tornou o jogador mais recuado do meio-campo, com Henderson ao seu lado e Naby Keita ou outro jogador como James Milner ou Georgino Wijnaldum, que correm muito e podem impor um jogo físico e de velocidade sobre os jogadores do Barcelona, como Ivan Rakitic, Sergio Busquets e Arthur. A fraqueza foi exposta e pode ser aproveitada.

O ataque do Liverpool é muito talentoso, rápido e tem mostrado repertório para ir muito além da correria e intensidade. É um time de heavy metal, como brinca Klopp, mas tem mostrado ser capaz de enfrentar, com paciência, times que minam os espaços para impedir as arrancadas de Salah e Mané. Isso, nesta temporada, não tem sido suficiente para evitar os gols do Liverpool. Em jogos do mais alto nível, é preciso ser eficaz no ataque de modo como os grandes times conseguem ser.

As ferramentas estão ali para que o time produza ainda mais diante de um adversário gigantesco. Messi é capaz de decidir a qualquer momento, mas o trabalho coletivo do Liverpool também é capaz de causar problemas ao Barcelona. E muitos.

Com a perspectiva dos títulos da Premier League e da Champions League, a torcida dos Reds sonha. E para transformar o sonho em títulos, será preciso mostrar essa eficiência, frieza e efetividade em jogos que o time é exigido no mais alto nível.