É possível imaginar que o Barcelona fará um jogo ruim, com Lionel Messi apagado e sem praticamente nenhuma chance de gol? É possível, mas é altamente improvável. O coletivo do Barcelona é sempre apontado como uma das grandes qualidades do time. Só que a noite de quarta-feira em San Siro foi a imposição de um time com uma camisa muito pesada, um time aplicado e que soube jogar com técnica e precisão. Não ficou só lá atrás, torcendo para um gol esporádico. Trabalhou muito pela vitória, soube marcar, mas soube jogar quando teve a bola – nos 35% de posse de bola que teve.

O Milan fez o que tinha que fazer: se postou bem defensivamente, tirando os espaços e não deixando que o toque de bola do Barça entrasse na área. Assim, os blaugranas fizeram o seu jogo, mas tinham dificuldades para entrar na área. Sem a opção de pontas rápidos e eficientes, o time se embolava pelo meio. Messi, bem marcado e pouco inspirado, não conseguiu quebrar a marcação com seus dribles. Dribles, aliás, faltaram ao time. E chutes também. Foram apenas sete chutes a gol, contra oito do Milan.

O time italiano foi mais eficiente na sua proposta. Com 22 desarmes contra 18 do Barcelona, conseguia recuperar a bola e chegar ao ataque com velocidade, em poucos toques, e usando o bom passe de Riccardo Montolivo, que fez boa partida. Os passes do Barcelona eram abundantes – só Xavi fez 132 e outros quatro jogadores passaram dos 100 passes na partida. O maior passador do Milan foi Kevin-Prince Boateng, com 38. Mas foi em um chute seu, e não um passe, que o Milan chegou ao primeiro gol. E aproveitando um chute de Montolivo.

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Boateng foi o melhor jogador da partida. Foi perigoso, marcou o gol e puxava ataques pela esquerda. Foi quem mais chutou no jogo: três vezes. Muntari, que marcou o segundo gol, deu dois chutes. No Barcelona, Messi e Iniesta foram os maiores chutadores, com dois chutes cada.

Um jogador que pouco apareceu no jogo, mas que foi importante no Milan: Massimo Ambrosini. Com a bola, quase não se viu. Mas ele fez cinco desarmes, foi quem mais se destacou nesse quesito na partida. O volante ainda fez nove interceptações e foi quem mais se destacou nesse quesito também. Montolivo também foi importante na recuperação da bola: foram quatro desarmes e quatro interceptações.

O Barça não tinha força de finalizar, nem em chutes de longe, nem em bolas levantadas na área, nem em jogadas de pivô de um atacante que não existia. O time normalmente não precisa desse tipo de jogada, mas não tem nenhuma opção no banco caso precise. E precisava em San Siro, porque fez o seu pior jogo em muito tempo. Talvez não tenha jogado tão mal assim nos últimos dois anos, nem quando foi eliminado da Liga dos Campeões pelo Chelsea jogou tão abaixo da sua capacidade. Com isso, o jogo de volta deve ser eletrizante. Dificilmente o Barcelona repetirá a má atuação, mas o Milan ganhou confiança, mostrou capacidade para impedir o jogo do Barcelona e, principalmente, capacidade ofensiva para decidir. E isso será fundamental no Camp Nou.

O Milan foi um gigante e conseguiu uma vitória do tamanho da sua tradição sobre um dos maiores times do mundo. O placar de 2 a 0 permite ao Milan sonhar com as quartas de final. E, a essa altura, é bastante possível.