O fim da indefinição sobre o técnico do São Paulo em 2016 trouxe uma nova série de perguntas: Edgardo Bauza é uma boa para o clube? A resposta, como é de se imaginar, não é um simples sim ou não. O argentino chega com um currículo de taças, sendo duas da Libertadores em times que não eram favoritos, muito pelo contrário. Seus times trazem organização defensiva como um ponto chave. Coisas que o São Paulo de 2015 não teve.

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Primeiro, é preciso dizer que o estilo de Bauza é bem diferente de Juan Carlos Osorio. Em comum os dois têm apenas o fato de falarem espanhol, serem estudiosos e, claro, estrangeiros. “El Patón”, como é conhecido o argentino, é um técnico que gosta de times organizados e nos seus trabalhos de sucesso, sempre bem posicionado.

Tanto a LDU, em 2008, quando o San Lorenzo, em 2014, foram times que conquistaram a Copa Libertadores com muito suor, muita dedicação, com times que fazem transição rápida e com pontas habilidosos. Na parte ofensiva, o São Paulo de Bauza pode aproveitar essas características. Tem jogadores rápidos e habilidosos para jogar pelos lados, como Michel Bastos, Rogério e Centurión.

Só que a parte defensiva… Bem, o São Paulo sofreu muito no ano. Além das falhas individuais, o time teve problema de preencher espaços, algo que os times de Bauza não tiveram. Além disso, o São Paulo tem sido um time de posse de bola, mesmo que pouco efetiva em muitos momentos.

A grande questão para a chegada de Edgardo Bauza ao São Paulo é o que o clube quer. Os diretores que o contrataram sabem do seu método de trabalho? Sabem que ele tem preocupações defensivas e de posicionamento? Que o seus times dificilmente são de posse de bola e muitas vezes de contra-ataque e velocidade pelos lados? Este é o crucial. Porque se quem o contrata espera que ele seja um técnico como foi Osorio, irá se decepcionar. Mas se espera que ele faça isso, mas, claro, usando a qualidade dos jogadores do elenco, então tende a dar mais certo.

Aliás, este é um outro ponto importante: Bauza terá liberdade para moldar o elenco ao seu modo de trabalhar? É normal, em todo técnico que assume um time, que faça mudanças, ainda mais de uma temporada para outra. Alguns jogadores podem não fazer parte dos planos dele, outros podem ser contratados para se encaixar no que ele acha ser o melhor para o clube. O quanto ele terá liberdade para isso e o clube poderá dar a ele jogadores que se encaixem no que ele espera?

Por fim, há a questão de dar um choque no elenco. Se a diretoria quer fazer uma reformulação no elenco, talvez Bauza possa ser o técnico para isso. Uma mudança de estilo que passe por um técnico com poderes para isso. Mais ou menos como o Atlético Mineiro fez com Levir Culpi, que mandou embora alguns jogadores que a diretoria achava que não precisava mais, ou que não rendiam mais. Pode ser uma estratégia da diretoria.

O São Paulo precisa saber o que quer com Bauza. Se o contratou sabendo do que ele fez na LDU e San Lorenzo, os seus trabalhos mais bem sucedidos quando se trata de Libertadores, o grande sonho são-paulino, fez bem. Se o contratou pensando em um futebol mais ofensivo e propositivo, que corra mais riscos, então pode estar apenas apostando no currículo, e não no estilo. E aí, sim, é um risco.

Foto: Getty Images