O Burnley não conseguiu vencer o Manchester City na temporada, mas foi uma das raras pedras no sapato de Pep Guardiola. Após a vitória relativamente tranquila por 3 a 0 no primeiro turno, os Citizens tiveram trabalho na Copa da Inglaterra. Os Clarets abriram o placar e a derrota por 4 a 1 acabou sendo mentirosa, por aquilo que aconteceu no Estádio Etihad. Já neste sábado, os mancunianos visitaram Turf Moor, um dos campos mais duros de se encarar na Premier League. Tiveram que se contentar com o empate. Danilo marcou um golaço, mas o excesso de chances perdidas pesaram contra o City. Ederson salvou duas vezes até que, nos minutos finais, o Burnley arrancou um merecido empate por 1 a 1. Os celestes ainda são líderes, mas oscilando um pouco mais.

Dominando desde os primeiros minutos, o Manchester City tinha um pouco de dificuldades para encontrar espaços na defesa do Burnley. As primeiras chances vieram pelo alto. Danilo, entretanto, conseguiu inaugurar o marcador relativamente cedo. Jogando na lateral esquerda, o brasileiro teve boa liberdade no confronto, especialmente quando aparecia próximo da área. Aos 21 minutos, arriscou o chute de longe e teve uma felicidade imensa, tirando do alcance de Nick Pope para acertar o ângulo. Golaço.

Não foi a vantagem que tirou o controle dos visitantes, com mais de 70% de posse de bola. O Burnley, no entanto, foi mais efetivo nos 15 minutos finais do primeiro tempo, saindo para o ataque. E o goleiro Ederson foi fundamental para evitar o empate. Após levantamento na área, Ben Mee pegou bonito na bola, mas o brasileiro voou para espalmar. Depois, o zagueiro dos Clarets ainda cabecearia uma bola muito próxima da trave, que assustou. Quando os Citizens responderam, Pope evitou o perigo, com duas boas defesas – incluindo uma bomba de Kevin de Bruyne, em rebote que quase sobrou para Sergio Agüero.

Para o segundo tempo, o Manchester City voltou com tudo. Parecia decidido a colocar o Burnley contra a parede e resolver o duelo com o segundo gol. O time chegou a ter 80% de posse de bola nos primeiros 20 minutos, finalizando oito vezes. Os anfitriões, ainda assim, se seguraram – tanto pela própria valentia quanto pela falta de pontaria dos líderes do campeonato. Pope foi brilhante quando exigido, desviando com a ponta dos dedos mais um chute colocado de Danilo, que parecia ter endereço certo. No entanto, faltava ao seu time colocar o pé na forma.

Passado o momento mais intenso, o City caiu de ritmo. E o Burnley passou a acreditar no resultado, tentando explorar os erros dos adversários – Vincent Kompany, particularmente, parecia disposto a contribuir com isso. A equipe da casa começou a sair mais ao ataque e de novo parou em um milagre de Ederson. Titular pela primeira vez, Aaron Lennon encheu o pé e o goleiro conseguiu desviar a bomba, em bola que ainda tocou na trave antes de ser neutralizada. Dois minutos depois, porém, os Citizens jogaram no lixo a chance de matar a partida. Kyle Walker avançou com liberdade à linha de fundo e cruzou rasteiro. Sterling estava sozinho no segundo pau, muito próximo da meta, mas fez o mais difícil: bateu para fora. Inconformado, o lateral chegou até a chutar as placas de publicidade pelo erro inacreditável. Custaria muito caro aos celestes.

Sterling seria substituído pouco depois por Brahim Díaz. E o Burnley, sem se intimidar, comemorou aos 37 minutos. Matthew Lowton cruzou em profundidade e Johann Berg Gudmundsson passou pelas costas de Walker, de frente para o crime. O islandês arrematou e, mesmo tocando na bola, Ederson não conseguiu salvar desta vez. Nos minutos finais, o City tentou partir para o desespero, mas não foi suficientemente contundente. Guardiola não tinha grandes opções ofensivas no banco de reservas e o time não apresentava muita criatividade. Teria que aceitar novo tropeço na Premier League.

Este é o terceiro jogo fora de casa que o Manchester City não vence no Campeonato Inglês. Empatou com o Crystal Palace, perdeu para o Liverpool e cedeu a igualdade ao Burnley. Por sorte, a concorrência oscila ainda mais, e a sequência impressionante no Estádio Etihad garante a tranquilidade. Neste momento, são 16 pontos de vantagem, ainda aguardando o Manchester United entrar em campo para ver se a distância se reduz. A preocupação maior, de qualquer forma, nem é com a tabela, e sim com os problemas demonstrados nas últimas semanas. Os desfalques no ataque, sobretudo, cobram seu preço.

Já o Burnley sai satisfeito, mesmo ampliando sua sequência ruim na Premier League. São nove rodadas sem vitória, com cinco empates e quatro derrotas. A igualdade deste sábado, apesar disso, pode ser considerada como uma reação. E o time de Sean Dyche continua rondando a zona de classificação à Liga Europa, atualmente na sétima posição. São 37 pontos, a cinco do também estagnado Arsenal, enquanto o Leicester tenta se aproximar com três a menos. Se os Clarets conseguirem ser mais eficientes contra os adversários abaixo na tabela, dá para continuar sonhando. As duas próximas rodadas serão boas amostras, contra os ameaçados Swansea e Southampton.


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