Uma estatística curiosa aconteceu no empate entre Burnley e Manchester City no último sábado, no Estádio Turf Moor, pela Premier League. Os Citizens podem não ter vencido o duelo, pecando pelo excesso de erros no ataque, mas o goleiro Ederson destoou. Não apenas operou duas defesas milagrosas, que iam adiando o tropeço até não ter o que fazer no chute de Johann Berg Gudmundsson, que decretou a igualdade em 1 a 1. O brasileiro também deu mais passes do que qualquer jogador dos Clarets. Foram 51 passes, 17 deles para a faixa central do campo e outros cinco para o terço final. Acertou 76% de suas tentativas, aproveitamento inferior a apenas dois de seus adversários. Juntos, a dupla de ataque do time da casa passou menos que o arqueiro, assim como a dupla de zaga.

Não por menos, a tarde vivida por Ederson mereceu elogios rasgados do técnico Sean Dyche, do Burnley. Mesmo que tenham feito boas partidas contra o City nesta temporada, os Clarets sofreram com Ederson em três encontros, um deles pela Copa da Inglaterra. E o comandante analisou a diferença que o brasileiro consegue fazer ao time, especialmente por aquilo que exige da marcação adversária. De certa forma, desabafou aliviado por não encontrá-lo mais até o final do semestre.

“Eu não podia acreditar. Era como se ele fizesse tudo aquilo com a mão. Eu pensei: ‘Minha nossa, ele também vai salvar o chute do Gudmundsson’. É o goleiro mais calmo que eu já vi. É como ter Ronald Koeman no gol. Ele pega a bola e a gira ao redor do campo, em todos os lugares. Isso adiciona demais ao seu plano de jogo, porque ele alivia a pressão. Eles recuam para ele, calmo e seguro, e então Ederson lança a bola ao meio-campo ou a alguém nas laterais. Não existem muitos goleiro que fazem isso, e é uma arma enorme para o estilo de jogo deles. Não apenas por isso, ele fez uma boa defesa contra Ben Mee e outra fantástica no chute de Aaron Lennon. Foi inacreditável, porque a chance era clara. Ele é um dos muitos jogadores excelentes que o City tem, certamente”, analisou Dyche.

Para quem não se lembra, em seus tempos de jogador, Ronald Koeman era conhecido especialmente pelos seus lançamentos precisos, que impulsionavam o time rumo ao ataque. Foi protagonista em timaços do PSV e do Barcelona, além de ter sido campeão da Euro 1988 com a seleção holandesa. O defensor ainda primava pelos chutes de longe e pelas cobranças de falta – como a que valeu o primeiro título continental aos blaugranas em 1992, em time no qual figurava Pep Guardiola. E não seria de se duvidar que Ederson, se resolvesse se aventurar nesta última habilidade, também poderia se dar bem. Por enquanto, ele continua no gol. E desequilibrando à campanha fantástica do Manchester City.


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