Eddie van Halen também deixou um hino ao futebol: ‘Jump’, a canção que energiza o Vélodrome há 34 anos

A guitarra de Eddie van Halen sempre será um símbolo ao rock and roll. O músico dominou o instrumento de um jeito único. Virou referência a grandes guitarristas e o som de sua Frankenstrat se transformou praticamente em sinônimo do gênero. A parte mais famosa de sua obra leva seu nome, com os sucessos do Van Halen, mas sua contribuição vai além da banda que liderou e sua influência é incalculável. A música está em luto nesta terça, com a notícia do falecimento de Eddie van Halen, vítima de um câncer de garganta aos 65 anos. E o legado de seu virtuosismo também embala o futebol.

Embora nascido em Amsterdã, Eddie van Halen viveu por pouco tempo nos Países Baixos. Filho de um músico clássico, mudou-se com a família à Califórnia quando tinha sete anos e não teve muito tempo para entrar em contato com o futebol. Os registros de sua relação com o esporte são mais ligados ao futebol americano. O que não impediu que os trabalhos do guitarrista atravessassem fronteiras e também animassem torcidas nos estádios de ‘soccer’.

Lançada em 1983, ‘Jump’ é uma das canções mais icônicas do Van Halen. A guitarra de Eddie ganha destaque principalmente pela energia transmitida na introdução da música. Virou, então, o som perfeito para ser executado em estádios do futebol. E, a partir de 1986, ‘Jump’ virou uma espécie de hino ao Olympique de Marseille. Desde então, praticamente em todas as vezes em que entrou em campo no Estádio Vélodrome, o time foi acompanhado pela canção. O clube logo passaria a viver sua era mais vitoriosa e, assim, o Van Halen ficou diretamente ligado às glórias dos marselheses.

A ideia de levar a música do Van Halen ao Vélodrome foi de Bernard Tapie, magnata responsável também pelo período mais abastado do Olympique de Marseille. Quem conta essa história é Alain Giresse, um dos maiores craques da história do futebol francês, que defendia os marselheses em 5 de agosto de 1986, a primeira vez que ‘Jump’ soou nos alto-falantes. O som deu sorte, já que o OM abriu o Campeonato Francês na ocasião vencendo o Monaco por 3 a 1. Jean-Pierre Papin, Karlheinz Föster e Joseph Antoine Bell eram outras referências do Olympique na época.

“Tapie queria dar uma cara aos jogos do Marseille com uma música característica. Quando entramos em campo, não sabíamos o que estava acontecendo. Os gritos da torcida se misturaram com essa música. Isso nos deu energia. É o último impulso de concentração, de motivação. Não vou dizer que é um elemento fundamental, mas isso nos fez sentir bem. A escolha foi ótima”, afirmou Giresse, em entrevista à France Football, em 2015. Vice-campeão em 1986/87, o Olympique de Marseille iniciaria seu tetracampeonato nacional em 1988/89, encerrando um jejum de 17 anos na Ligue 1.

Desde então, ‘Jump’ já tocou mais de 500 vezes no Vélodrome, inclusive na campanha do título da Champions League 1992/93. O clube chegou a abandonar a tradição em 1993, quando foi rebaixado pelo escândalo de manipulação de resultados liderado por Tapie. A intenção era demarcar a mudança interna e deixar para trás a relação com o antigo mandatário. Porém, a decisão não duraria: os próprios jogadores pediriam para que ‘Jump’ voltasse ao estádio. No fim, virou uma música atemporal, sem qualquer relação com o momento da equipe, apesar das boas lembranças da virada dos anos 1980 para os 1990.

“Esta música te apoia. É difícil de explicar. Mas, quando jogamos em Marselha, ela tem importância. É o hino do OM. Está consagrado. Essa música, como a da Liga dos Campeões, faz os torcedores sonharem. Eu vi pessoas mais velhas gritarem. Van Halen tem esse poder”, afirmou Jean-Christophe Marquet, meio-campista do clube entre 1991 e 1997, também à France Football. Visão complementada por Bernard Casoni, defensor da equipe na década de 1990: “Quando saíamos do túnel, tínhamos a impressão de que flutuávamos, que éramos teletransportados. Você tinha a impressão de que nada poderia acontecer com você”.

Não há festa da fanática torcida marselhesa sem a canção do Van Halen, afinal. E não é apenas no sul da França que a música virou tradição. Por anos, a comemoração dos gols no San Siro também era acompanhada por ‘Jump’, entre outras canções. Da mesma forma, outros clubes usam a melodia para injetar vibração em seus torcedores, como o Brondby e o Groningen. Mas nenhuma relação é tão forte quanto a vivida em Marselha.

Em suas redes sociais, o Olympique prestou tributo a Eddie van Halen e desejou condolências à família. É uma pena que o Vélodrome não possa estar cheio no próximo dia 17, quando os marselheses voltarão a entrar em campo ao som de ‘Jump’, em duelo contra o Bordeaux. Mas é de se esperar uma homenagem digna da torcida celeste à lenda do rock que, afinal, deixou uma música que tantas alegrias marcou ao clube.

Abaixo, dois momentos icônicos de ‘Jump’ no Vélodrome: a partida 500 da música, justamente um clássico contra o PSG, e a comemoração dos 120 anos do Olympique.