O Bournemouth anunciou que o seu treinador Eddie Howe e outros três membros importantes da cúpula do futebol – o executivo-chefe Neill Blake, o diretor-técnico Richard Hughes e o assistente técnico Jason Tindall – se voluntariaram a diminuir “significativamente” seu salários durante a paralisação do futebol inglês por causa da pandemia de coronavírus.

Howe é o primeiro técnico da Premier League, e primeira figura importante da primeira divisão inglesa, a tomar essa medida, com o Sindicato de Jogadores alertando que seus membros não aceitassem cortes de vencimentos sem consultá-lo e políticos questionando se clubes milionários deveriam usar um programa governamental para cobrir os custos de funcionários menos bem pagos.

O Bournemouth também afirmou que colocará seus jogadores no programa de retenção de empregos do governo britânico, que prevê o pagamento de 80% dos salários até £ 2,5 mil mensais, com a opção ao empregador de completar o restante, o que Norwich e Bournemouth prometeram fazer. Tottenham e Newcastle são outros dois clubes da elite que anunciaram que pedirão ajuda aos cofres públicos.

Essa iniciativa foi criticada pelo deputado conservador Julian Knight, presidente do comitê de Digital, Cultura, Esportes e Imprensa da Câmara dos Comuns do parlamento britânico. “Fica engasgado na garganta. Expõe a economia insana do futebol inglês e o vácuo moral que existe no meio dela. Não foi para isso que o programa foi designado. Não é designado para que eles continuem pagando centenas de milhares de libras enquanto dispensam centenas de libras dos funcionários”, afirmou.

“Não sei se o Tesouro pode legalmente recusar esses pedidos. Mas, ao mesmo tempo, acho que o futebol precisa dar uma boa e longa olhada para si mesmo e ver se, moralmente, é realmente certo ou não, e se o que eles precisam na verdade fazer é chegar a um acordo com suas estrelas para continuarem pagando 100% dos salários de seus outros funcionários, em vez de dispensar 80% (para os cofres públicos)”, completou.

Após uma reunião “construtiva” nesta quarta-feira, a Premier League, a Football League (responsável pela segunda, terceira e quarta divisões) e a PFA (sigla em inglês para Professional Footballer’s Association, o sindicato dos jogadores) conversarão novamente na próxima sexta-feira e, segundo o Guardian, as ligas disseram à PFA que os jogadores terão que não apenas aceitar adiamentos, mas também cortes de salários.

Uma carta escrita pela PFA vista pela BBC afirmava que o sindicato “pediu para ver a situação financeira específica de cada clube antes de aconselhar seus jogadores a aceitarem os termos oferecidos. Antes de aceitar ou assinar qualquer documento do clube, é vitalmente importante que os times coletivamente discutam propostas com a PFA”.

Segundo uma pesquisa da YouGov, 92% do povo britânico acredita que jogadores da Premier League deveriam aceitar cortes de salários durante a crise, e 67% avalia que deveria ser metade dos vencimentos. Na Championship, o elenco do Leeds abriu mão de parte do que teria a receber para garantir o pagamento dos outros funcionários.