O Fair Play Financeiro costuma ser tema de extenso debate na Europa. Em teoria, ele surgiu como uma ideia para impedir os excessos de gastos e brecar o surgimento de superpotências bancadas por magnatas, mas na prática não surte tal efeito. O que se nota são alguns clubes endinheirados encontrando maneiras de romper as brechas e a diminuição da competitividade. Não à toa, a mudança na composição da Champions League, privilegiando as principais ligas do continente, de certa forma desponta como uma consequência do processo. E um estudo divulgado por economistas da Universidade Técnica de Munique ratifica o que se percebe ano após ano.

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A pesquisa levou em conta dados das 10 últimas temporadas. Os economistas apontam para um bloqueio de investimento sobre os clubes menores, o que justamente implica nesta falta de competitividade e agrava cada vez mais o problema. Para eles, a solução é se espelhar no modelo empresarial e buscar a liberdade de mercado.

“Investidores podem quebrar estruturas estabelecidas e fortalecer a competitividade – algo parecido que nós podemos ver com capital de risco na economia. A regulamentação da Uefa, no entanto, parece ter definido barreiras altas para investidores que buscam o ponto de partida patrocinando clubes menores. Devido aos limites, os potenciais financiadores não veem a chance de fazer clubes pequenos serem competitivos internacionalmente através do investimento. É assim que o Fair Play Financeiro solidifica as hierarquias existentes”, relata o doutor Daniel Urban, co-autor do relatório.

Os estudos recomendam que a Uefa reveja o seu Fair Play Financeiro, ao menos para abrandar as limitações e as consequências aos clubes menores. Segundo o relatório, só assim eles poderiam atrair mais investimentos e equilibrar a balança nas competições continentais.  Vale ponderar, entretanto, que mudanças bruscas também poderiam implicar em outras consequências, como a inflação de valores e dificuldades maiores aos clubes que não contam com investimentos externos.

“O Fair Play Financeiro não reduz a desigualdade entre os clubes, mas a aumentou ainda mais. Clubes e federações poderiam pegar algumas dicas do mundo dos negócios sobre como combinar o livre mercado, as regulamentações de competição e as boas práticas de gestão. Após extensos debates, a governança corporativa em grandes empresas sofreu transformações substanciais nos últimos 15 anos. O futebol poderia seguir o exemplo para evitar perder a aceitação dos torcedores”, conclui Christoph Kaserer.

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