A epidemia de ebola no continente africano havia afetado pouco o futebol até esta semana, quando surgiu uma informação citando uma fonte do ministério dos Esportes de Marrocos dizendo que o país havia desistido de sediar a Copa Africana de Nações de 2015, com medo de receber turistas carregando o vírus. O ministro da pasta Mohamed Ouzzine negou, nesta quinta-feira, que a decisão já tenha sido tomada oficialmente, mas o local de realização da próxima CAN está em xeque.

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O governo marroquino enviou uma carta para a Confederação Africana de Futebol pedindo para discutir alternativas. Tem duas propostas: adiar a competição para 2016 ou sediar a de 2017. Caso nenhuma delas seja aceita, o ministro Ouzzine vai anunciar a desistência de Marrocos, segundo o jornal espanhol El Pais, o que pode causar sanções esportivas, como suspensão aos clubes e à seleção do país.

O assunto será debatido em uma reunião do comitê executivo em 2 de novembro, mas a CAF já vai buscando alternativas. Enviou uma carta para as federações da África do Sul, que usaria a estrutura que sediou a última CAN e a Copa do Mundo de 2010, e Gana, além de outros países ainda desconhecidos. Egito e Sudão também já expressaram interesse. Dificilmente, a entidade vai querer arcar com os prejuízos financeiros e de credibilidade de adiar ou cancelar a competição.

“Se o medo deles é perder investimento e compromissos financeiros, podemos sempre encontrar soluções para esses problemas, mas hoje não é o dia de discutir isso”, afirmou o ministro Ouzzine. “Vamos discutir isso quando nos encontrarmos com a CAF e podemos até debater outras opções. Mas, eu imploro, qual o significado de perdas financeiras quando comparadas às perdas humanas? Um ser humano não tem preço. Eu posso dizer que vamos chegar a uma decisão final durante nossa reunião com os irmãos da CAF”.

O surto de ebola já matou mais de 4.500 pessoas no oeste da África. Marrocos fica ao norte e ainda não teve nenhum caso registrado, segundo a Organização Mundial de Saúde, mas teme receber muitos turistas de outros países do continente e não ser capaz de controlar quem entra e sai do país. Colocaria a sua própria população em um risco muito grande de exposição ao vírus. Segundo Ouzzine, são esperadas entre 200 mil e 400 mil pessoas. “Até um milhão”, exagera. “Esse é nosso real problema. Não temos um problema com equipes visitantes, apenas com os visitantes”.

A Confederação Africana de Futebol já teve que agir para lidar com o Ebola. Suspendeu indefinidamente Serra Leoa, Libéria e Guiné, os três países mais afetados pelo ebola, de sediar partidas internacionais. Seychelles desistiu das eliminatórias da CAN contra Serra Leoa para não ter que visitar o país. Lass Bangoura, jogador do Rayo Vallecano, recusou se apresentar no Marrocos para uma partida de Guiné, sua seleção, contra Gana, por causa do vírus. Naturalmente, houve alguma interferência do vírus no futebol do continente, mas nada que se compare ao adiamento ou cancelamento da Copa Africana de Nações que, segundo a CAF, acontece “sem nenhuma mudança de agenda” desde a primeira edição, em 1957. Isso é uma forte indicação de que a entidade vai dar um jeito de realizar o torneio de alguma forma.

Mundial de Clubes

No último sábado, Marrakesh recebeu o sorteio do Mundial de Clubes da Fifa, previsto para ser realizado entre 10 e 20 de dezembro, no Marrocos. Mesmo sendo longe do foco da epidemia, um jogador do San Lorenzo externou a preocupação do clube argentino. Gonzalo Prósperi disse que o elenco fala mais sobre ebola do que sobre o Real Madrid, possível principal adversário na competição do final de ano. “Estamos assustados”, afirmou à rádio AM 850. “É estranho que haja casos em todos os países vizinhos, mas não ali. Minha mulher está todos os dias vendo notícias sobre isso e me pede para não ir. Como eu posso não ir?”.

Em agosto, porém, a Fifa, baseando-se em um relatório da Organização Mundial da Saúde, confirmou que o torneio será realizado no Marrocos e prometeu enviar um relatório para cada clube com informações médicas para o torneio, como “é padrão para todos os torneios que a entidade organiza”. De acordo com a agência de notícias Xinhua, o embaixador marroquino da Argentina afirmou que “a dúvida existe apenas na imprensa”.

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